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quarta-feira, 18 de junho de 2014

SP: Zona Leste - O lírico som da poesia n'A Casa Amarela

Por Lígia Regina.

Passo dias corridos, ao longo das semanas, tentando administrar as partes em que me divido, nem sempre são partes iguais, pelo contrário, subdividida sigo até em migalhas, para dar conta do que é de responsabilidade, o que é necessário, e finalmente do que é de “regalo”, contentamento da alma! Este último na verdade, na escala, a menor parte, é minha força motriz, e vem sustentando todas as outras partes!

Assim tem sido, a meu ver, os “Saraus da Casa Amarela”, momentos em que a alma de formas inusitadas, inunda-se de mimos, recebendo dádivas que nos deixam embasbacados...
Pessoas que vão chegando como um raio de sol, lançando faíscas por todas as frestas, e irradiam com suas performances, cativam com suas melodias, e dançamos embalados e eufóricos e emocionados com esfuziantes poesias!!!

A cada sarau, no momento que piso na CA, carrego comigo aqueles mesmos amigos, que a pelo menos trinta e poucos anos atrás, em tempos de MPA, caminhavam lado a lado, com “a mesma ânsia que eu”, embalando sonhos e acreditando que com música, teatro, artes plásticas, poesia...iríamos transformar o mundo!?!

Doce Utopia da juventude essa de querer “agarrar os cabelos do sol”.

Não mudamos o mundo, mas mudou minha maneira de ver o nosso mundo, de conviver com as pessoas deste mundo, e posso afirmar que viver fica bem mais interessante quando se vive com “arte”!!!

Posso dizer ainda, é que quando  chego na CA e no ar já se espalha o aroma do cafezinho da Célia, pra mim é pura poesia! Então passo para o abraço apertado da Sú, e isso me soa como poesia! O sorriso único de Clarice, Escobar de um lado para o outro, atrás de alguma coisa que só ele sabe onde está, o Akira posando de tranquilo, mas já pensando em como fará a abertura, o Eder desenrolando um emaranhado de cabos e ainda parando pra experimentar um som, o Gabriel juntando as latinhas... este é o som da poesia na CA,  e esta poesia é tudo que eu preciso no momento...

Pode parecer pouco...  mas é porque o que acontece a partir do momento em que o sarau inicia de fato, deixarei para um próximo relato... porque aí meu irmão!?, haja coração e  lacrimejar de olhos, para os efeitos colaterais que poderão lhe causar uma explosão de concentração generalizada da Poesia!!!


Lígia Regina é artista plástica,arte-educadora, poetisa e cantora; iniciou sua trajetória em Movimentos de Cultura, Festivais de Teatro e de Canção. Atuou no Movimento Popular de Arte (MPA) de São Miguel Paulista.


terça-feira, 3 de junho de 2014

SP: ZONA LESTE - Não dá para controlar esse Blá-blá-blá

Blá-blá-blá n'A Casa Amarela.
Por Luka Magalhães.


No último sábado, dia 31/05, nossa Casa Amarela realizou mais um Blá-blá-blá, uma roda de conversas que promove a discussão sobre a arte na periferia e as políticas de incentivos culturais, um evento que realmente valeu a pena participar.

Nessa edição do evento tivemos a presença de Ronelson Martins, representando a Comunidade Samba Jorge, entidade que promove a inserção sociocultural por meio do futebol e do samba. Com palavras simples, Martins nos contou um pouco da trajetória da entidade, que, tentarei aqui recontá-la.

Em 1952 nascia o time de futebol varzeano “São Jorge”, um dos mais antigos da região de São Miguel
A.R.C São Jorge de São Miguel Paulista, desde 1952.
Paulista, recordista em permanência no “Desafio ao Galo”, torneio onde os times da várzea se enfrentavam e que, enquanto a equipe fosse ganhando as partidas continuava na disputa. Segundo Ronelson o São Jorge permaneceu por vinte e duas rodadas seguidas no campeonato. Após o futebol, a roda de samba começava com a alegria e a partir dessa união o espírito de comunidade foi crescendo. Com o passar dos anos algumas pessoas tiveram de mudar do bairro e para não perder o contato, decidiram se encontrar mensalmente e em 14 de junho irão realizar o 81º Encontro com a Comunidade.

Acredito que nesse ponto de meu relato, uma pergunta está começando a surgir: “O que isso tem de importante?” principalmente porque muitos grupos fazerem o mesmo. Concordo que à primeira vista parece só mais uma história de como uma roda de samba surgiu, porém o que diferencia a trajetória da Comunidade Samba Jorge das outras histórias são as atitudes que os participantes assumiram de acordo com o que acontecia com seus amigos.

Comunidade Samba Jorge.
Por diversas vezes, alguns amigos que haviam se mudado não tinham condições financeiras de comparecer ao encontro. Para que o grupo pudesse se reunir, começaram a realizar a “vaquinha” para garantir a presença de todos. Dessa atitude nasceu a ideia de se manter a arrecadação e revertê-la em cestas básicas para os moradores da região que se encontravam em dificuldade.

Em outro momento, alguns membros começaram a usar drogas ilícitas. Entre expulsar do grupo, ou tentar ajudar o amigo a se livrar do vício, é claro que a comunidade optou por oferecer a ajuda. Segundo o relato de Ronelson, o grupo buscou por informações e em vez de confrontar os amigos, vítimas das drogas, diretamente, simplesmente abordavam os assuntos durante conversas, tentando fazem com que as pessoas se conscientizassem de seu problema. Como uma flecha certeira a estratégia atingiu seu alvo. A partir daí a Comunidade passou a realizar diversas campanhas e cada vez mais se fazer presente no cenário cultural.

Mas como sabemos, sempre teremos os oportunistas. Políticos de plantão sempre surgem do nada para se
Ronelson Martins
aproveitarem de ações sociais que estão dando certo e insinuar que, se não fossem eles (os políticos) nada ali teria acontecido. Daí veio a resistência da Comunidade em aceitar tal tipo de ajuda. Com um entendimento de que certas pessoas não dão nada de graça, havia sempre a pergunta “O que ele quer de volta?” e isso propiciou com que a Comunidade não tivesse vínculo político ou partidário, realizando um trabalho sem o chamado “rabo preso”. Da mesma forma trataram os empresários do “capeta”, que se ofereciam para gerenciar o grupo, de forma com que o grupo seria extorquido, sacaneado e menosprezado em seu valor.

A história da Comunidade Samba Jorge nos encanta, pois podemos ver como uma ação social pode ser construída a partir de iniciativas simples, como possibilitar que um amigo compareça ao encontro, ou ajudar outro que se enveredou pelo caminho das drogas e tornar essas ações maiores do que jamais foi imaginado. Ações como essa merecem e devem ser divulgadas. Atualmente a Comunidade realiza palestras antidrogas, de conscientização sobre o câncer, campanhas de agasalhos, brinquedos, páscoa, natal, promove o acesso ao esporte por meio do time “ARC São Jorge”, incentiva a produção musical voltada ao samba de raiz e do Bloco Carnavalesco, mantém outra ação social na cidade de Suzano, onde promove a inserção digital.

E tudo isso nasceu na simples vontade de ajudar um amigo. Para saber um pouco mais da Comunidade Samba Jorge, basta clicar em Samba Jorge.

Parabéns a todos da Comunidade Samba Jorge pelo trabalho, cuja história me faz (novamente) citar Geraldo Vandré, em uma canção pouco conhecida, mas que diz algo das ações que essa gente boa vem fazendo a tanto tempo.



Porta Estandarte

Olha que a vida tão linda se perde em tristezas assim

Desce o teu rancho cantando essa tua esperança sem fim
Deixa que a tua certeza se faça do povo a canção
Pra que teu povo cantando teu canto ele não seja em vão


Eu vou levando a minha vida enfim

Cantando e canto sim
E não cantava se não fosse assim
Levando pra quem me ouvir



Certezas e esperanças pra trocar
Por dores e tristezas que bem sei
Um dia ainda vão findar
Um dia que vem vindo
E que eu vivo pra cantar
Na Avenida girando, estandarte na mão pra anunciar.



Geraldo Vandré

Luka Magalhães é analista de sistemas e nas horas vagas escreve poesia, contos e peças teatrais. Ministra a palestra “Eu nas relações interpessoais”, que trata do comportamento individual em situações cotidianas. Administra a páginaEu Recomendo, no Facebook , que divulga os eventos culturais que acontecem principalmente na Zona Leste de São Paulo, e também os artistas populares que circulam pelo país.

terça-feira, 27 de maio de 2014

SP: ZONA LESTE - Quem sabe faz a hora

Sarau O que dizem os umbigos
Por Luka Magalhães.

Sarau Casa do Chefe
Lembro-me da época em que jogávamos bola nas ruas e de quando nos reuníamos para limpar algum terreno baldio e ali fazer nosso campinho de futebol, mesmo que só disputássemos nossas partidas somente no final de semana em que o limpávamos. Ou o entulho era novamente posto nos terrenos ou voltávamos para as ruas de terra, melhor lugar onde nosso “estádio” poderia ter mais do que os costumeiros vinte e cinco metros de extensão, tamanho padrão dos lotes de outrora. Hoje não vemos mais os garotos se mobilizando para tais ações, pois não existem mais terrenos vazios que não estejam murados e são poucas as ruas em que ainda seja possível uma partida de futebol com pés descalços.

Coletivo 32
O que me fez lembrar dessa época foi um evento marcado para esse final de semana (24 e 25 de maio) em Jandira, cidade da Grande São Paulo, principalmente por me trazer à lembrança o fato de se ter um objetivo simples nas ações propostas para esse evento, tal o grupo de crianças limpando u terreno baldio. O Coletivo 32, marcou a ocupação de uma área entulhada para realizar a limpeza e ali criar uma praça popular eco sustentável para a realização de eventos culturais. Alguns poderiam dizer que é um evento simples e sem importância, mas não foi assim que enxerguei o ato. Vi cidadania, envolvimento da população local, engajamento pró-cultura e “manifestação” sobre a ausência do poder público, que se fez de cego ao espaço abandonado.

São atos como esse que mostram o quanto as manifestações culturais podem revitalizar e fortalecer uma região, mostrando que é possível se fazer cultura sem depender dos governos, que cultura pode se sustentar pela vontade de um grupo que acredita nisso. São os alicerces populares que mantém a cultura não midiática em pé. São pessoas simples, cidadãos anônimos que não aparecem nos holofotes das televisões, que
Coletivo 32
realmente fazem a cultura se enraizar em cada canto do país.

Na capital paulista temos várias ações semelhantes acontecendo. No Parque Raul Seixas (COHAB José Bonifácio, em Itaquera) parte da administração foi ocupada para a criação do espaço cultural. No centro do bairro, da antiga estação de trem só restou a “casa do chefe”, moradia cedida pela empresa ferroviária para o responsável pela estação, que está sediando o “Sarau da Casa do Chefe” e o grupo que organiza o evento luta para que seja criada a “Casa da Memória” do bairro.

No Itaim paulista, nossos irmãos do “Sarau O que dizem os umbigos” realizam seus eventos em diversos locais abertos, levando sua alegria para os frequentadores desses espaços.

Coletivo 32
A nossa Casa Amarela é outro exemplo de como se perpetuar cultura sem verba pública. Ali são promovidos os saraus mensais, o “Blá-blá-blá”, roda de conversas sobre a produção cultural e outros eventos, sempre com a parceria do IPEDESH (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Social e Humano). Ainda temos a investida da Casa no lançamento de CDs e livros de artistas populares, fazendo com que essa produção artística possa ser perpetuada.

Todas essas ações são feitas pela força de vontade dos grupos que tem consciência de que é possível fazer e perpetuar cultura sem depender do poder público.

Parafraseio então Geraldo Vandré:

Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora,
Não espera acontecer


Luka Magalhães é analista de sistemas e nas horas vagas escreve poesia, contos e peças teatrais. Ministra a palestra “Eu nas relações interpessoais”, que trata do comportamento individual em situações cotidianas. Administra a página Eu Recomendo, no Facebook , que divulga os eventos culturais que acontecem principalmente na Zona Leste de São Paulo, e também os artistas populares que circulam pelo país.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Coluna SP: ZONA LESTE - A ilógica de Sísifo

A Casa Amarela Espaço Cultural
Casa Amarela: um espaço cultural pulsante.

O poeta, escritor, fotógrafo e videomaker Escobar Franelas inaugura hoje a coluna de terças-feiras SP: ZONA LESTE em nome d'A Casa Amarela - Espaço Cultural, que reúne artistas, professores, intelectuais, agentes e gestores culturais e realiza um significativo trabalho de ativação cultural a partir de sua sede, no bairro de São Miguel, Zona Leste de São Paulo.

Por Escobar Franelas.

Começar a primeira linha da primeira coluna em minha primeira participação nesse oásis literário, é – na falta de uma palavra mais bem elaborada – desconfortável. Pense num jogador mediano fazendo sua estrieia num time grande e sua estreia se dá jogando num Maracanã lotado numa tarde ensolarada de domingo! É o meu caso.

Falar o quê? Falar de quê? Penso, rememoro, repenso, me demoro: encontrar o assunto não é difícil, mais complicado é decidir sobre qual dos vários que assuntam (e assustam) a minha cabeça irá versar. São vários.

Minha primeira vontade é fazer uma propagandinha, afinal, lanço livro novo (o terceiro) nessa semana. Mas pudores me impedem de seguir este plano, vou pra outro terreno. Penso falar da Casa Amarela, um espaço cultural em São Miguel que ajudo a administrar e que se tornou, com o correr dos anos, a minha Meca, o paraíso onde me deleito, minha Macondo, minha Pasárgada. É lá que refinei a prática da cultura do abraço, onde encontro alguns dos mais leais e necessários amigos, meu refúgio em busca de paz, bom papo, arte prazerosa, boa bebida e boa comida.

A Casa Amarela tornou-se, com o passar do tempo, um templo onde, mais do que a fruição artística, somos agraciados com a poética da boa convivência, os prazeres das coisas pequenas, o orgasmo da arte sem muitos artificialismos, o criadouro de novas ideias. E quão belo é o espetáculo da arte sendo criada, remendada, aliterada, edulcorada! Parece o pôr-do-sol sendo revisto em câmera-lenta diversas vezes, por ângulos diferentes. É esse êxtase que vivo constantemente, quase uma rotina, gostosa repetição de coisas que me dão paz.

Por último, pensei em falar um pouco de produção audiovisual, uma de minhas paixões – assim como os livros – mas, embaralhando todas as cartas que escondi sob a manga da blusa, optei por dar uma banana pra dúvida e decidi escrever sobre ela: a dívida que tenho com essa dúvida. Esse afã é o que me move, me promove, me inaugura, dissimula, eleva e vela as minhas utopias. E de muitos.

Por isso, mesmo, pago sempre em moeda corrente e ainda assim fico devendo um troco para o dia seguinte.

E, de tanto tentar, saiu-me este textículo que entrou por uma porta, saiu por essa outra. Quem quiser que conte mais. Semana que vem!


Escritor, fotógrafo e videomaker paulistano e membro da UBE (União Brasileira de Escritores, Escobar Franelas publicou seu primeiro trabalho em 1989 - os poemas "Velhos Trapos" e "Opus Vivendi", na Antologia Poética de Pinheiros. Desde então ganhou alguns prêmios, entre os quais o Arte na Cohab/SP-Literatura (1998, poema "Pátrio Nosso"), 1º Prêmio Barueri de Literatura/SP (2003, poema "Balé"), e o 1º Concurso Chapecoense de Literatura/SC, (2004, conto "Anatomia de um Crime" e poema "Prostração"). Tem verbete na Enciclopédia Brasileira de Literatura (Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (São Paulo, Global Editora, 2ª edição, volume 1, 2001, pg. 732). Publicou o livro de poemas, hardrockcorenroll (São Paulo: Scortecci, 1998) e o volume de prosa Itaquera: uma breve introdução (São Paulo: Editora Kazuá, 2014). Mantém o blog Vs. Eu   e a página no sítio literário Recanto das Letras. Colabora na coluna de terças-feiras SP: ZONA LESTE, assinada coletivamente pela CASA AMARELA.



 Leia também a coluna DR. MONSTRO, com histórias de arrepiar os cabelos.

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terça-feira, 29 de abril de 2014

PELA CIDADE - A Casa Amarela pulsa vida

A Casa Amarela debate cultura na Zona Leste nas décadas de 1980 e 1990.

Por Jeosafá.

Estive sábado passado (26/04/14) n' A Casa Amarela, espaço cultural, em São  Miguel Paulista, a convite do cineasta João Luiz de Brito Neto (Botinas no elevador, Brasil, 2010), para o lançamento do livro MovimentAções pela Cultura: Um painel dos movimentos culturais de região Leste de São Paulo, 1980-1990, de Patrícia Freire de Almeida, Julio Cesar José Marcelino e João Luiz de Brito Neto.

Com o auditório lotado, o debate seguiu quente durante mais de duas horas, em que o papel dos movimentos culturais, dos artistas e sua difícil relação com o Estado, nas três esferas (federal, estadual e municipal) estiveram em foco.

Além do resgate da experiência dos anos 1980 e 1990 na Zona Leste de São Paulo, debatedores e público examinaram a década de 2000 e a situação atual da cultura e dos movimentos em São Paulo, muitas vezes ameaçados em sua autonomia pela dependência excessiva em relação ao Estado, que se por um lado estimula a  produção via editais, por outro preserva a situação de instabilidade e precariedade do setor, uma vez que esses mesmos editais não têm caráter perene e muitas vezes resultam em práticas clientelistas.

A Apresentação do livro é esclarecedora:

No início do século XXI presenciamos uma grande mobilidade de grupos e coletivos
culturais das regiões periféricas da cidade de São Paulo que buscam participar e interferir na construção de políticas públicas de cultura que contemplem a suas necessidades de expressão e reconhecimento.
 
Assim, a partir da recuperação das lutas pela democratização da cultura nas décadas que serviram de espaço de pesquisa e reflexão aos autores, o presente é posto em foco, de maneira a tornar vivo um passado recente, mas cujas promessas de esperança ainda não se realizaram completamente. Na mesma Apresentação, ao final, sobre esse particular, os autores argumentam:

Entendemos que o presente material pode contribuir para ampliar e enfatizar a necessidade de haver outras perspectivas para a construção da história da cidade de São Paulo, proveniente de pessoas, grupos e movimentos organizados das regiões afastadas do centro da metrópole, trazendo-os para a grande História em estigmatizar ou supervalorizar, considerando que até mesmo a tentativa de construção destas estrutura ideológicas dentro dos próprios movimento é importante para entender suas contradições.


Embora a publicação e o debate tenham realizado uma espécie de balanço de décadas, o horizonte dos presentes, artistas e líderes culturais, foi a busca pela construção de um projeto concreto que, no campo da cultura, institua um clima fértil de produção cultural com repercussão em políticas públicas, mas sem a tutela do Estado que, na opinião dos presentes, deve ter papel estimulador e democratizante, mas nunca direcionador ou dirigista, o que é sempre o pior dos mundo para a livre criação.

A Casa Amarela – Espaço Cultural está localizada em São Miguel Paulista (SP), iniciou suas atividades em Março de 2011 e foi pensada para, em todos seus ambientes, respirar a criação humana e seus desdobramentos onde música, teatro, literatura, cinema, artes visuais, filosofia, história ou simplesmente a conversa entre seus visitantes possa ser aconchegante e convidativa para novas descobertas.