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quarta-feira, 30 de abril de 2014

PELOS BAIRROS EM CORDEL - São Miguel

Por Cacá Lopes.



São Miguel

O povo deste lugar
Já tive muita conquista,
Mas ainda necessita
Aumentar a sua lista.
Minha homenagem em versos
Para São Miguel Paulista.

De Aldeia de Ururaí
O bairro já foi chamado,
Em vinte e um de setembro
Lugarejo foi fundado,
Em dezesseis, vinte e dois (1622)
Foi oficializado.
                               
Uma capelinha em barro
Foi erguida na região,
Com nome de um arcanjo
Batizaram a construção,
É histórica, foi tombada,
Mereceu preservação.

Um outro marco do Bairro
É a grande Companhia,
A histórica Nitro Química
Que no passado atraia,
Milhares de operários
Com isso a Vila crescia.

São Miguel da UNICSUL
E da Praça do Forró,
Onde o Padre Aleixo Mafro
Benfeitor, não lutou só.
Da Oficina Luiz Gonzaga
Que no baião foi xodó.

Salve! Índios, Jesuítas!
Tribo Nação São Miguel!
Trupe do MPA
Que cumpriram seu papel,
Movimento Popular
De Arte, música e cordel.

Adquira o cordel completo
D’A HISTÓRIA DE SÃO MIGUEL
Com o autor, pelo e:mail
Do Cacá Lopes poeta:
poeta@cacalopes.com.br


Um abraço CORDELial e musical a todos os leitores!


Cacá Lopes começou sua trajetória em 1984, com o lançamento de um compacto simples, com as músicas "Brilhar" e "Você Que Sonha", de sua autoria. Com a tiragem de apenas mil copias, o disco foi gravado no Estúdio Mosh, em São Paulo, com produção de Hélio Santistebam, do Grupo Pholhas. Tem gravados 5 CDs solos (Isso Aqui é que é Forró, Generosa Canção, Cooperativa do Forró, Mutirão de Sonhos e Pérolas), 2 compactos e um disco em vinil. Tem dois livros publicados (Cinderela em Cordel e Vida e Obra de Gonzagão), e como cordelista é autor de uma dezena de folhetos de cordéis, entre eles Hino Nacional Brasileiro em Cordel, A Invasão do Estrangeirismo e Cordel do Trava Língua. Escreve toda quinta-feira para o blog da editora Nova Alexandria a coluna Pelos bairros em cordel.

terça-feira, 29 de abril de 2014

PELA CIDADE - A Casa Amarela pulsa vida

A Casa Amarela debate cultura na Zona Leste nas décadas de 1980 e 1990.

Por Jeosafá.

Estive sábado passado (26/04/14) n' A Casa Amarela, espaço cultural, em São  Miguel Paulista, a convite do cineasta João Luiz de Brito Neto (Botinas no elevador, Brasil, 2010), para o lançamento do livro MovimentAções pela Cultura: Um painel dos movimentos culturais de região Leste de São Paulo, 1980-1990, de Patrícia Freire de Almeida, Julio Cesar José Marcelino e João Luiz de Brito Neto.

Com o auditório lotado, o debate seguiu quente durante mais de duas horas, em que o papel dos movimentos culturais, dos artistas e sua difícil relação com o Estado, nas três esferas (federal, estadual e municipal) estiveram em foco.

Além do resgate da experiência dos anos 1980 e 1990 na Zona Leste de São Paulo, debatedores e público examinaram a década de 2000 e a situação atual da cultura e dos movimentos em São Paulo, muitas vezes ameaçados em sua autonomia pela dependência excessiva em relação ao Estado, que se por um lado estimula a  produção via editais, por outro preserva a situação de instabilidade e precariedade do setor, uma vez que esses mesmos editais não têm caráter perene e muitas vezes resultam em práticas clientelistas.

A Apresentação do livro é esclarecedora:

No início do século XXI presenciamos uma grande mobilidade de grupos e coletivos
culturais das regiões periféricas da cidade de São Paulo que buscam participar e interferir na construção de políticas públicas de cultura que contemplem a suas necessidades de expressão e reconhecimento.
 
Assim, a partir da recuperação das lutas pela democratização da cultura nas décadas que serviram de espaço de pesquisa e reflexão aos autores, o presente é posto em foco, de maneira a tornar vivo um passado recente, mas cujas promessas de esperança ainda não se realizaram completamente. Na mesma Apresentação, ao final, sobre esse particular, os autores argumentam:

Entendemos que o presente material pode contribuir para ampliar e enfatizar a necessidade de haver outras perspectivas para a construção da história da cidade de São Paulo, proveniente de pessoas, grupos e movimentos organizados das regiões afastadas do centro da metrópole, trazendo-os para a grande História em estigmatizar ou supervalorizar, considerando que até mesmo a tentativa de construção destas estrutura ideológicas dentro dos próprios movimento é importante para entender suas contradições.


Embora a publicação e o debate tenham realizado uma espécie de balanço de décadas, o horizonte dos presentes, artistas e líderes culturais, foi a busca pela construção de um projeto concreto que, no campo da cultura, institua um clima fértil de produção cultural com repercussão em políticas públicas, mas sem a tutela do Estado que, na opinião dos presentes, deve ter papel estimulador e democratizante, mas nunca direcionador ou dirigista, o que é sempre o pior dos mundo para a livre criação.

A Casa Amarela – Espaço Cultural está localizada em São Miguel Paulista (SP), iniciou suas atividades em Março de 2011 e foi pensada para, em todos seus ambientes, respirar a criação humana e seus desdobramentos onde música, teatro, literatura, cinema, artes visuais, filosofia, história ou simplesmente a conversa entre seus visitantes possa ser aconchegante e convidativa para novas descobertas.