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terça-feira, 10 de junho de 2014

O PENSAMENTO VOA - Amargo

Por Rômulo Reis Cesco.

 Acredito que fiquemos amargos depois de um certo tempo, quando passamos a ver o quadro geral do mundo/sociedade em que nos encontramos, isso é fato, mas também por outras razões.. O fígado aguenta as noites sem pedir água, mas o coração já há muito enegrece gradualmente por certas paixões findadas, amores que se fogem - essas vezes que se foge porque nos engolfam de todo, não se consegue respirar e noites de encantamento - essas tantas maravilhas de uma só gozada que nunca mais se vê.

Acredito que conforme se acumulam os casos, mais e mais carma vem junto. A amargura do "e se". Depois de um tempo não há racionalidade em se adequar aos joguinhos idiotas de sedução e refrear o impulso de abordagem acaba se tornando natural, visto que com aquele contato, para se conseguir o esboço de uma entrega necessita-se de todo um aparato de regras sociais a serem cumpridas - deve-se haver elogios, deve-se haver mostrado interesse para que se diga o que os olhos e o sorriso de canto de boca já dizem há muito.

Depois de um tempo se cansa dessa perspectiva. Então há uma reserva natural, uma inserção, um mergulho em si, e à cada respirar, um contemplar o mundo com diferentes perspectivas e argumentações. Não há a necessidade de dispensar atenção há outro alguém senão você, e quem vier precisa saber disso - porque uma vez, ou outra nos rendemos à essas convenções sociais. É preciso delimitar o espaço de apreço e tudo não passa de uma amizade.


A paixão é desvairada mas de curta duração, não devemos esperar dos outros mais do que eles são. Essa é amargura do "e se", já houve tantas quebras de arquétipos que se pára de amar imagens pré-concebidas, você se vê admirando a pessoa em todas suas virtudes - essas que você aprendeu a admirar depois de tanto tempo, então se descobre apaixonado... Descubro ser um amargo analítico. O difícil é achar alguém que saiba amar também.

Rômulo Reis Cesco é granduando de Direito pela Universidade São Judas Tadeu. Seus textos de natureza crítica assumem, porém, aspecto poético, e posicionam a condição da humanidade em geral e do jovem em particular sob a luz da reflexão filosófica. Seus textos são um convite ao compartilhamento e à solidariedade.

MACHO DO SÉCULO 21 - Os papéis da família e da escola na educação

Por Cláudio Henrique dos Santos.

Muitos pais, cada vez menos presentes, delegam para a escola a tarefa de educar seus filhos. É importante discutir quais são os papéis da família e da escola na formação das nossas crianças. 

A falta de tempo dos adultos, seja pelo excesso de trabalho ou pelos longos deslocamentos no trânsito e no transporte coletivo das grandes cidades, está provocando um fenômeno extremamente prejudicial à formação das crianças, que é a "terceirização" da educação dos filhos para as escolas. As pessoas estão se esquecendo que educar dá trabalho e que esta é uma tarefa que deve ser executada pela família e não pela escola.


Ouço cada vez mais, principalmente pessoas da classe média, dizerem a seguinte frase: “Eu me mato para pagar uma boa escola, tenho o direito de exigir que ela eduque meu filho corretamente”. Aí me pergunto: será que essas pessoas não sabem que educar uma criança é uma tarefa que exige não somente tempo, como paciência, disciplina e aplicação? Sem contar o verdadeiro trabalho em equipe e a divisão de tarefas entre pais e mães.

Criar um filho faz a gente abrir mão de um determinado estilo de vida. Acabam os longos encontros com os amigos, as saídas até tarde no final de semana. Você nunca mais vai dormir até o meio-dia ou ler o jornal de domingo durante duas horas com um copo de cerveja na mão. Um cineminha ou um concerto de música? Até pode rolar, mas muito provavelmente vai ser o novo desenho animado da Disney ou o show do Justin Bieber (meu Deus!). É assim. Muito prazeroso, recompensador, mas exige comprometimento e paciência. Do contrário, tem tudo para dar errado.

Sei que estou mencionando o óbvio, por isso, gostaria de fazer uma reflexão. A formação dos filhos começa em casa. Além de dar a eles todo o amor e carinho, você deve ensinar a eles primeiramente valores, como caráter, honestidade, respeito ao próximo. Isso já não é pouca coisa, mas é só o começo para a formação de um ser humano de qualidade. À medida que eles vão crescendo, precisam ser orientados sobre religião, cidadania, preservação do meio ambiente, sexo, educação no trânsito, consumo de drogas. E a lista vai crescendo.

E qual o papel da escola? Lógico que ela também deve ensinar tudo isso e o faz, na medida do possível. Mas quando seu filho senta num banco escolar, ele o faz primeiramente para aprender português, matemática, história, geografia, biologia, enfim, adquirir todo o conhecimento necessário para sua formação global. Esse sempre foi, e continuará sendo, o principal papel da escola.

Acredito que muitas escolas e professores fazem também muito bem o papel de educadores. Entretanto, como é que nossas crianças vão assimilar todo o currículo escolar e ainda os valores e os aprendizados essenciais para a vida que mencionei anteriormente, em apenas quatro ou cinco horas dentro da escola? Ninguém em sã consciência pode exigir isso, nem mesmo pagando uma pequena fortuna mensal.  

É preciso diferenciar educação de escolarização. Não cabe à escola saber que música seu filho está ouvindo, o que ele está assistindo na televisão, qual o conteúdo que ele está acessando na internet, que tipo de mensagem ele troca com os colegas pelas redes sociais. Também não é ela quem irá acompanhar o comportamento social do seu filho. Ou saber seus sentimentos, suas necessidades como indivíduo. E não se esqueça que, por melhor que sejam os professores, eles são responsáveis por 35, 40, às vezes 50 alunos.   

Hoje, com todo o avanço tecnológico, o mundo evolui de forma extremamente veloz. Com isso, os desafios e perigos se multiplicam também. A escola acompanha uma parcela dessas mudanças, mas nunca vai substituir a presença de um pai e de uma mãe, nem mesmo chegar perto disso.


Uma criança precisa de todo o suporte afetivo e psicológico, mas isso não é tudo. Os filhos necessitam de exemplos dentro de casa, de acompanhamento, de alguém que vai estar ao lado deles o tempo todo, compartilhando as conquistas e apoiando nos momentos mais difíceis. Será que você está dedicando tudo o que pode na educação do seu filho? Pense bastante nisso antes de fazer suas reclamações na próxima reunião escolar. Se você tiver tempo de participar dela, é claro.


Cláudio Henrique dos Santos é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo. Desenvolveu a maior parte da sua carreira profissional nas áreas de de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais, principalmente na indústria automobilística. Em 2010 foi morar em Cingapura, acompanhando um convite profissional recebido por sua esposa. Desde então, é sua principal atividade é cuidar da casa e da filha, e dar em casa o suporte que a família necessita. Escreve às terças-feiras a coluna Macho do século 21, no blog da editora Nova Alexandria.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Coluna MACHO DO SÉCULO XXI - O psicólogo que virou mágico e contribiu para o sucesso da esposa


Por. Cláudio Henrique dos Santos


Maurício Torselli deixou o emprego como psicólogo para investir na carreira de mágico. E o resultado, além do sucesso dele na nova empreitada, foi a tranquilidade que a esposa precisava para continuar crescendo profissionalmente. 

Quem nunca sonhou em ter um hobby que ao mesmo tempo pudesse ser uma profissão e uma fonte de renda? Após 10 anos trabalhando como psicólogo, Maurício Torselli decidiu investir numa carreira como mágico, fazendo o que lhe dava mais prazer. E quem acabou ganhando foi a sua esposa, que conseguiu a tranquilidade necessária para investir na carreira de médica e executiva numa empresa multinacional.  

“Sempre gostei de mágica e praticava meus truques apenas com os familiares. Como eu precisava de um público mais exigente para exibir meus dotes de mágico, em 2001 comecei a fazer exibições em bares. A partir daí, foram surgindo convites para que eu fizesse apresentações em festas particulares e até mesmo convenções de empresas”, explica Maurício. “No ano seguinte, eu iniciava uma carreira profissional como mágico, em paralelo com minha atividade como psicólogo”, complementa.  


Com o aumento da demanda por suas exibições, em 2006 ele decidiu deixar o emprego de orientador sexual no Instituto Kaplan, ONG que atua no desenvolvimento de projetos para educação sexual de adolescentes nas escolas, para dedicar-se exclusivamente à mágica. Surgia então a BME3 Mágica Corporativa, em parceria com um amigo, também mágico. “Hoje somos especializados no trabalho com empresas que pretendem transmitir seus conceitos e mensagens através de uma linguagem diferenciada e divertida, que é a mágica”, define.

Ao optar pela carreira de mágico, ele passou a ter uma agenda mais flexível, e pôde também ajudar a esposa na administração do lar. Hoje, é ele quem cozinha e se ocupa do dia-a-dia da organização da casa. “Faz tempo que a Graziela não sabe o que é pagar uma conta ou fazer supermercado”, diverte-se Maurício. Com a vida mais organizada em casa, ela ganhou mais tempo para dedicar-se à carreira bem sucedida de gerente médica numa multinacional do setor farmacêutico.

“É justo dizer que o Maurício já me ajudava bastante mesmo antes de optar pela mágica. Quando decidimos nos casar, eu já estava fazendo minha residência médica e dava toneladas de plantões. Foi ele quem organizou todos os preparativos do casamento. Entrei somente para tomar as decisões finais e fazer o vestido. E deu tudo certo.”, comenta a esposa.



Segundo Graziela, a decisão de Maurício de trabalhar como mágico, com horários mais flexíveis, foi fundamental para que ela pudesse decolar na carreira profissional. “Paralelamente, fui promovida, passei um mês em treinamento nos EUA e quando voltei ficava muitas horas no trabalho. O Maurício passou a fazer tudo em casa, como supermercado, banco, cartório, revisão do carro, orientação da empregada, etc. Além disso, ele cozinha muitíssimo bem”, completa.


O suporte do marido permitiu que Graziela desse o próximo passo, assumindo a gerência médica em uma multinacional. Ela ganhou a tranquilidade necessária para abraçar diversos projetos na empresa, que exigiam muitas viagens nacionais e internacionais, além de muita dedicação no escritório. “Hoje, acumulo muitas conquistas. O trabalho me realiza profundamente e o Maurício é uma parte importantíssima disso, não somente pelo suporte que tenho em casa como por todo o aconselhamento que ele me dá”, afirma a executiva.
Como o casal não têm filhos, ainda sobra tempo para curtir o tempo livre juntos. E sempre que pode, Maurício ainda aproveita para acompanhar a esposa quando pinta alguma viagem de trabalho internacional. Eles acabaram de voltar de Cingapura e Hong Kong e já planejam para os próximos dias uma visita a Chicago, nos Estados Unidos.   

O inquieto Maurício já se lançou em outra empreitada e dá os primeiros passos numa nova atividade profissional, que alia uma outra paixão: a gastronomia. A Comoditat Gastronomia, comandada pelo “Chef” Maurício, dá consultoria a restaurantes e prepara refeições personalizadas para particulares e empresas. Pelo jeito, vai sobrar menos tempo para acompanhar a Graziela nas suas viagens profissionais.

Fiz questão de contar essa história, pois ela confirma minha tese de que não existem mais papeis predefinidos no Século XXI. O caminho para a felicidade nesses novos tempos passa pelo entendimento e compreensão mútuos. Maurício e Graziela formam um casal moderno, que reflete as mudanças da nossa sociedade. E mais do que isso, estão conseguindo a realização dos seus objetivos, tanto pessoais quanto profissionais. Uma história que merece ser compartilhada.  


Para conferir as dicas gastronômicas ou o trabalho do Maurício como mágico, você pode acessar os links www.bme3.com.br e www.facebook.com/comoditat.


Cláudio Henrique dos Santos é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo. Desenvolveu a maior parte da sua carreira profissional nas áreas de de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais, principalmente na indústria automobilística. Em 2010 foi morar em Cingapura, acompanhando um convite profissional recebido por sua esposa. Desde então, é sua principal atividade é cuidar da casa e da filha, e dar em casa o suporte que a família necessita. Escreve às terças-feiras a coluna Macho do século 21, no blog da editora Nova Alexandria.


terça-feira, 27 de maio de 2014

MACHO DO SÉCULO 21 - As conquistas do pós-feminismo

Por Claudio Henrique dos Santos.

Escrevi esse artigo a partir da entrevista da escritora Camille Paglia, publicada pela Revista Veja desta semana. Para ela, o feminismo sufocou os homens e as mulheres acabaram se arrependendo disso. Você concorda? Leia minha opinião. 


A escritora norte-americana Camille Paglia, afirma em sua entrevista à Revista Veja (leia a entrevista completa clicando aqui) que o feminismo acabou sufocando os homens e que as mulheres acabaram lamentando-se das suas próprias conquistas, ao ver que esse “novo homem” não é exatamente aquele que elas desejavam.


Como um homem que se vê hoje “no outro lado do balcão”, apoiando a carreira profissional da minha esposa, separei algumas frases da entrevista dela que eu gostaria de comentar, a partir dessa que aparece na foto principal da matéria. 

É verdade que as conquistas obtidas pelas mulheres a partir da onda feminista dos anos 60 cobram hoje o seu preço. A sociedade moderna espera que além de realizadas profissionalmente, elas sejam boas mães, eficientes no cuidado com a casa e de preferência e  ainda sejam atraentes para seus maridos. Não é pouca coisa. É normal que, com tanta cobrança, a maior parte das mulheres sinta-se frustrada. Mas será que o problema está na postura das mulheres?
   
O feminismo acabou impondo uma imagem de que, para ser feliz, a mulher precisa ser rica e poderosa. Pelo menos, esse é o estereótipo que colou na cabeça das pessoas. Quando lancei meu livro “Macho do Século XXI”, achei muito interessante o comentário de uma jovem blogueira em relação a ele. Ela escreveu o seguinte: “Mas quem eu queria conhecer mesmo era a mulher dele. Logo imaginei a Miranda Presley, do filme O diabo veste Prada. Fiquei boba de ver que ela tem uma imagem tão comum quanto todas nós”, foi o comentário da moça.
  
O estereótipo é forte, mas acredito que a Camille Paglia exagerou na dose ao dizer que as mulheres não querem o “novo homem”. Naturalmente, as mulheres ainda gostam daquele homem que paga a conta do jantar. A figura do homem provedor ainda é muito presente na sociedade. Queiramos ou não, o ato de esperar que o homem saia pra caçar e traga comida para casa ainda está gravado no DNA das mulheres. Isso mudou, com muito boa vontade, há duas gerações apenas. Entretanto, creio que elas já não dão mais tanto valor para isso.

 A maioria não almeja ser rica e poderosa. Elas são apenas mulheres “comuns”, como minha esposa. Continuam querendo casar, ter filhos, família. E uma carreira profissional. A grande mudança reside no fato de que hoje elas esperam que os homens compreendam uma nova realidade que elas conquistaram com sacrifício, que é a de exercer um papel mais igual em relação aos homens. E isso, muitos deles ainda não entendem. Até aceitam uma mulher que pague a metade da conta do jantar, mas preferem mulheres menos independentes. E também não querem dividir com elas a responsabilidade de tarefas supostamente “femininas”. Aí fica difícil mesmo.  

 A escritora afirma também que as mulheres vivem um conflito de papéis sem solução. Reproduzo abaixo um dos trechos da entrevista:

Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista? 

Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. (...) Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história.


Discordo que não exista solução. Isso não significa que a partir de hoje todos os homens devem virar donos de casa. Mas acredito que um casal pode buscar o entendimento mútuo, buscando o equilíbrio nas tarefas de cada um, sem papéis predefinidos. A jornalista Mara Luquet já definiu bem essa situação: “Não é preciso casar para nada – você não precisa casar para ter filhos, ter uma vida sexual ativa e nem mesmo para envelhecer (para isso existem os planos de previdência e a profissão de cuidadores). Então, a única razão para alguém se dar o trabalho de encarar esse enorme desafio de ter uma vida em conjunto é de fato o desejo de ter um projeto em comum, com alguém que amamos”. Acho que é bem por aí mesmo.
  
Outra frase da entrevista talvez ficasse melhor na boca de um homem sentado num bar tomando cerveja com os amigos do que na boca de uma mulher. “Todas as mulheres querem ser a Carrie, de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas”, afirmou a escritora.


Quase caí da cadeira quando li isso. Quanto preconceito, moça. Pensar que as mulheres abriram mão de seu papel feminino e ficaram menos interessantes porque passaram a ocupar posições de destaque na sociedade é tão pobre quanto achar que lugar de mulher é na cozinha. Acho que não foi para isso que as mulheres queimaram seus sutiãs em praça pública no final da década de 60. Mas esse tipo de pensamento revela, acima de tudo, que ainda existe um longo caminho a ser percorrido pelas mulheres para serem tratadas com igualdade pela sociedade.
  

Claudio Henrique dos Santos é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo. Desenvolveu a maior parte da sua carreira profissional nas áreas de de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais, principalmente na indústria automobilística. Em 2010 foi morar em Cingapura, acompanhando um convite profissional recebido por sua esposa. Desde então, é sua principal atividade é cuidar da casa e da filha, e dar em casa o suporte que a família necessita. Escreve às terças-feiras a coluna Macho do século 21, no blog da editora Nova Alexandria.



VAI BRASIL!

Leia o episódio desta semana de DR. MONSTRO: Há monstruosidades do bem?






O PENSAMENTO VOA - Pequenas coisas, felicidade sóbria

Por Rômulo Reis Cesco.

Ele estava atrasado, não gostava de se atrasar, metódico como era, estar atrasado e ao mesmo tempo sorridente era algo raro. Estava andando rapidamente sob o sol paulistano. No seu pensamento, um beco sem saída, muitas palavras amontoadas sobre apenas um só propósito, um nome, o dela. Ou delas. Nunca soube como dizer, como identificar, como viver o momento. Pensava no futuro, planejava seus passos, mas ao tentar executar, sua reação era diferente, seus olhos o denunciavam. Botou seus óculos escuros. 

Passava andando, sorrindo por entre os transeuntes apressados, que com toda a certeza estavam se preocupando com coisas irrelevantes, como trabalho, dinheiro, aluguel... Ele pensa consigo como o mundo é mesquinho e ninguém mais se importa em ver o outro sorrir... Vinícius doa uma moeda pro mendigo e troca algumas palavras, de atitude nobre e sem peso, o garoto bem arrumado dá um abraço no morador da casa dos carros. Sai sorrindo e vai em direção ao parque central, uma exposição tem início no outro lado da rua, bandeiras, cavaletes, estilos variados, pessoas novas, novos rostos, novas histórias.

Adentrou, olhou pro lado - olhou pro outro e viu bancos -, sentou, fumou um cigarro esperando a ligação, pra dizer onde estava pra talvez a musa de uma nova canção. Esperou, atendeu a esperada ligação, falou e relaxou, esperou.

Ela chegou, ele sorriu, ela enrubesceu. Ele pensava o quão linda ela era. Como qualquer roupa se encaixa, qualquer gesto se faz próprio, qualquer brincadeira, quaisquer que fossem os atos, desmedidos ou não, cabiam nela como peças de quebra-cabeça. Se sentia encantado pela beleza despreocupada que ela possuía, ele se jogava no mundão só pra ver aquele olhar e chamar ela de "cabeção" enquanto resistia à todos os impulsos que lhe tomavam. "Deixa ela falar,deixa eu olhar, me deixa admirar", pensava consigo mesmo ao lutar consigo mesmo...

O sol estava no seu ponto mais alto, conversaram, riram e beijaram-se, como de praxe, decidiram ir a outro parque, cansaram, ela reclamava de tudo, contava de tudo, mente aberta mas extremamente fechada,  um contraponto interessante, equilibrado, encantador. Ele passa demorados momentos a estudar as expressões dessa garota, em suma, interessante.

Enfim chegam ao parque,  deitam na grama, a grama causa coceira, ele está sem camisa em razão do calor infernal que se instalou na capital, ela está tentando derrubá-lo a cada tentativa que ele faz pra se levantar...
Ele repara em tudo nela pois não pode deixar escapar nada, precisa guardar cada gota desses momentos que a vida proporciona, pois em verdade vale a pena... 


Patos a encantam e ele se encanta por tal encanto... Ele vê a chama do amor arder onde existia uma fortaleza de gelo; poderia ficar horas admirando aquela energia positiva que ela exalava, era como um perfume cheio de nuances, ela é uma nuance ambulante. Encantadora nuance de pequenos humores, pequenos rumores, grandes olhares, deslumbrantes gestos e um andar de tirar o fôlego. Sorri pro horizonte pensando como o mundo é pequeno e as pessoas ás vezes não percebem os diamantes que têm nas mãos...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O PENSAMENTO VOA - Fora do comum

Às vezes, surge um rosto no metrô superlotado.

Por Rômulo Reis Cesco.

Ela me conhecia, mas não sabia quem eu era. Nos falávamos por entre as trivialidades de um dia-a-dia em que nos cruzávamos, trocando palavras ralas de profundidade. Um pouco malcriado, carrancudo em razão do sol que queimou meu rosto aquele dia - naquela manhã ao acordar, vi que tinha um pouco de serração acima do lago, logo achei que iria ser um dia nublado. Errado.

Foi de sol, tanto que a encontrei -  percebi que só a encontrava em dias em que saia o sol, coincidência, ou era o sol que saía quando ela resolvia sair de sua toca. Entretanto, essa cara de desgosto que eu vesti escondia a admiração pelo sorriso que ela sempre levava, sempre, sem exceção - e me chamava de amor, talvez por não saber meu nome. Sei lá se isso é importante, nunca me importei como me chamam, gosto que apreciem além dos rótulos, o nome acaba sendo só mais isso - tanto que hoje tem gente que até interpreta o indivíduo pelo nome que tem. Patético.

O vestido curto e a  maquiagem pesada dela não escondiam os hematomas, porém o sorriso estava ali, no seu posto fiel, tenho até compaixão por essa princesa que nunca teve lua de mel, nem castelo, nem seguidor fiel. Talvez tenha seguidor, não fiel, mas ocasional e altruísta, que admira e percebe o quão egoísta o mundo foi, e é com ela. Mas está ali, com o sorriso no metrô, mesmo depois de uma noite arregaçando a todo vapor.

Chegou na sua parada, ela desceu, não antes de dizer "Tchau amor" - Despi minha carranca e fiquei pensando: "Não me importo com o nome, antes um amor da desconhecida do que um ódio de um chegado do lado. "

Segui meu dia depois da conversa breve, desci, entrei no escritório, montei planilhas, usual; mas algo mudou, o sol tinha saído pra vê-la, talvez eu também saísse todo dia na esperança de trocar algumas palavras no metrô com aquela linda e sombria mulher, e entre as cinco estações que me fazia companhia, (antes de descer), era apenas pra iluminar meu dia, consciente disso ou não - não é paixão, é elemento novo no dia, que destoa da rotina da metrópole fria. E não é?!



Rômulo Reis Cesco é granduando de Direito pela Universidade São Judas Tadeu. Seus textos de natureza crítica assumem, porém, aspecto poético, e posicionam a condição da humanidade em geral e do jovem em particular sob a luz da reflexão filosófica. Seus textos são um convite ao compartilhamento e à solidariedade.



Coluna MACHO DO SÉCULO 21 - Não "terceirize" a educação dos seus filhos


Nada substitui a relação entre seu filho e você.

Por Cláudio Henrique dos Santos.

Jornadas longas de trabalho, horas perdidas no trânsito e no transporte público e a correria do dia-a-dia leva os pais a cada vez mais dependerem de outras pessoas no cuidado com os seus filhos. Mas será que não podemos fazer um pouco mais e melhor? 


Minha filha Luiza está às vésperas de completar sete anos de idade. Ela é uma benção na minha vida e da minha esposa. Não poderia ser uma criança mais carinhosa e alegre. Sua inteligência é notável e ela faz conexões de ideias surpreendentes para uma criança da sua idade. Seu entusiasmo contagia imediatamente a todos aqueles que com ela convivem. Ama a escola e os amiguinhos e tem um coração enorme. Recentemente, ela foi diagnosticada com dislexia, que é um distúrbio de aprendizagem, e com TDAH (Transtorno de Atenção e Hiperatividade).

Até aí, nada demais. Ela tem um desenvolvimento e inteligência compatíveis com as crianças da sua idade, mas aprende as coisas de uma maneira diferente. Precisa de uma atenção mais individualizada e de muita repetição.

Essa descoberta me levou a uma reflexão importante: se eu não tivesse tomado a decisão de parar de trabalhar para poder acompanhá-la mais de perto, nós jamais perceberíamos que havia algo de errado e não poderíamos ajudá-la na hora certa, como estamos fazendo agora. Como resultado, ela fatalmente ficaria desmotivada na escola, pois estaria cada vez mais atrasada em relação aos seus coleguinhas. E o que deveria ser algo agradável, poderia tornar-se um fardo enorme.

Hoje eu reflito sobre a situação que eu tínhamos em casa há pouco mais de três anos. Minha esposa e eu trabalhando como loucos, ambos viajando demais. Embora fizéssemos o máximo para ficar ao lado dela nas pouquíssimas horas que restavam, a verdade é que invariavelmente ela ficava aos cuidados de uma babá, sob a supervisão de uma das avós – que sorte a nossa de poder contar com elas nessa hora.

Sem dúvida, achávamos que estávamos fazendo o melhor, lutando para construir um futuro mais confortável para a Luiza. Na verdade, isso é o que todos nós fazemos hoje na sociedade moderna. Pagar as contas de casa está cada vez mais difícil, portanto pais e mães não têm muita opção que não seja a de delegar a terceiros o cuidado com os filhos. Mas isso não significa que também devemos “terceirizar” a educação deles.

A eventual ausência dos pais não tem impacto apenas na educação formal das crianças na escola, mas também pode ter consequências graves na formação da criança até mesmo como cidadãs, sem contar os perigos aos quais elas ficam expostas.

Recentemente, li uma matéria publicada pelo portal de notícias UOL que tem como título “Babás fazem relatosassustadores de pais que terceirizam os filhos”. A matéria é muito interessante e recomendo demais sua leitura. Além de abordar as situações vividas pelas babás e mostrar como alguns pais acabam literalmente entregando a vida de seus filhos nas mãos de pessoas que muitas vezes eles mal conhecem, traz algumas reflexões sobre o que podemos fazer para participarmos mais na vida de nossos filhos e os impactos positivos disso. 

Impossível não lembrar de alguns casos que presenciei no condomínio que eu morava em São Paulo. Num deles, havia um menino de uns 8-9 anos de idade, que aprontava o diabo. Colava pedaços de pizza no espelho do elevador, escrevia palavrões nas paredes do prédio, vivia tentando dar rasteira em quem saía do elevador para derrubar a pessoa. Era a figura mais presente no saguão do condomínio. Os pais, nunca vi. Até o dia que o dito cujo tentou me derrubar na saída do elevador e fui comunicar a eles o ocorrido. O pai falou cobras e lagartos dizendo que eu estava exagerando e bateu a porta na minha cara. Falta de educação vem de berço, fazer o quê?

Mais tarde, num outro condomínio onde morei, a situação era ainda mais preocupante. Quatro prédios, uma área comum e um terreno enormes. Não era difícil de “perder” uma criança por ali. O que mais me chamava a atenção é que as babás ficavam com as crianças o tempo todo, mesmo nos finais de semana. As crianças um pouco maiores viviam andando sem a menor supervisão pelo prédio o dia inteiro, sempre passando das 10 da noite. E os adolescentes se “amassando” por todos os cantos, pouco se importando com quem passava. Mas o que se via pouco mesmo era a presença dos pais.

Em qualquer situação, toda a atenção com as crianças ainda é pouco. Num ambiente como esse, é inevitável que as coisas aconteçam. Certo dia, chego em casa e me deparo com três viaturas do corpo de bombeiros. Eles estavam tentando retirar um menino de 10 anos de idade, que, sabe Deus como, conseguiu subir na caixa d’água de dos prédio, que tinha 29 andares. Outra ocasião, um pai perdeu a cabeça e ameaçou uma criança com uma faca, por conta de alguma coisa que haviam aprontado com o filho dele. Não tive a menor curiosidade de saber do que se tratava, mas coisa boa não foi.  

É uma tristeza constatar que alguns pais enxergam a escola como a principal responsável pela educação dos filhos. Sem contar aqueles que, como mostra a matéria do UOL, “terceirizam” essa função para outras pessoas. É importante estar próximos deles o máximo de tempo possível, acompanhar o progresso na escola, observar como se comportam na companhia de outras crianças e, principalmente, ensinar valores que eles só poderão aprender em casa, observando e imitando o comportamento dos próprios pais, que são (ou pelo menos deveriam ser) a maior referência dos filhos.

Não tenho dúvida que tomei a melhor decisão quando passei a me dedicar em tempo integral à criação da Luiza e que sou um privilegiado por isso. Claro que a parte financeira pesa demais e às vezes me sinto culpado em deixar nas mãos da minha esposa a tarefa de ser a provedora da casa, principalmente agora, quando as despesas com escola e terapias complementares irão pesar mais ainda no orçamento.

Mas sem perdas não há ganhos. Estou certo que esses anos “investidos” na Luiza não preço. Para mim, cada dia que passo ao lado dela tem um valor inestimável. E o resultado prático dessa dedicação, ela colherá no futuro. Embora hoje eu já receba isso de volta com juros e correção, na forma de abraços, beijos e sorriso que ela distribui incansavelmente. 

Claudio Henrique dos Santos é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo. Desenvolveu a maior parte da sua carreira profissional nas áreas de de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais, principalmente na indústria automobilística. Em 2010 foi morar em Cingapura, acompanhando um convite profissional recebido por sua esposa. Desde então, é sua principal atividade é cuidar da casa e da filha, e dar em casa o suporte que a família necessita. Escreve às terças-feiras a coluna Macho do século 21, no blog da editora Nova Alexandria.


Leia também a coluna POR DENTRO DA COPA: Argentina, após o Brasil, é a principal candidata ao título? O Jornalista Márcio Arantes acha que sim, isso se o tango não desandar...