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sexta-feira, 11 de julho de 2014

ÉTICA E VALORES - Exemplo de amor


Por Luiz Roberto de Aguiar.

Exemplo de Amor

Há momentos que não voltam mais,
Que ficam na memória, que vão e vem,
Digo isso da lembrança dos meus pais
De quem me lembro muito bem.

Ele era um Pai e Trabalhador incansável,
Ela era Mãe, Amiga, Cuidadora sem igual,
Ele se foi de forma inquestionável,
Ela perseverou lutando contra o mal.

Meus pais deixaram filhos criados
De forma que cada um pode seguir adiante,
Quando me lembro de seus ensinos
Me pego com um sorriso radiante.

Suas vidas não eram tranquilas,
Vidas de trabalho duro,
Da decisão da união total,
Vencendo juntos, todo e qualquer mal.

Casamento antigo, blindado pelo amor
Sentimento incondicional, sem igual,
Que nem sempre se vive no dia a dia atual,
Pai e Mãe, obrigado por seu exemplo de amor.

Se hoje escrevo estas linhas, expresso meus sentimentos
É devido a sua paciência, alegria e perseverança,
Pois eu quando criança chamava qualquer um pra dança,
A fim de fazer bagunça e viver apenas aqueles momentos.

Hoje, quando olho os meus netos
Reconheço sua dedicação,
Sua constante disposição,
A beleza da sua construção.

Chego aos meus cinquenta anos de bem com a vida,
Tendo também criado uma família querida,
Meus filhos e netos seguem seguros,
Na construção de seu próprio futuro.

Gostaria de lhes dar um abraço,
Pena que isto já não mais é possível,
De lhes mostrar as coisas que hoje faço.
Obrigado, o trabalho de vocês foi incrível!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

ÉTICA E VALORES - Indiferença Social

A vida dura de quem precisa de hospitais públicos.

Por Luiz Roberto de Aguiar

INDIFERENÇA SOCIAL

O que deveremos nós fazer?
Quando o que esperamos não acontecer?
Diante de situações inesperadas,
De coisas ainda não pensadas.

Quando surge o inesperado,
E o amigo não está ao lado,
O que se projetou deu errado
E tudo é novamente ajeitado.

Estamos em meio a uma sociedade
Que vive de valores tão móveis,
Quanto à própria ação climática,
Isto produz uma grande instabilidade.

Quem ensina a não mentir, mente
Aquele que grita por paz, agride
Aquela que deveria cuidar, abandona
Quem deveria pagar, sonega.

Verdades transformadas em mentiras,
Atos de justiça, mudados para injustiças
O trabalhador hoje é escravizado
Em seus direitos é injustiçado.

Altas cotas de juros nos são impostas
O dinheiro público furtado, desviado
Dificilmente é repatriado,
O prejuízo é lançado em nossas costas.

É preciso estar atento e dialogar
Vem ai as eleições e vamos votar,
Podendo cada um de nós se manifestar
Demonstrando o que está a nos irritar.

Preste muita atenção meu povo
Que possamos não errar de novo,
Que desenvolvamos consciência política e moral
Lutando juntos contra a indiferença social.

Muito mais que a Copa, necessitamos
De hospitais, escolas e segurança,
Pois, nós que tanto trabalhamos
Merecemos saúde, educação e esperança.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Coluna SP: ZONA LESTE - Casa Amarela de São Miguel lança livro de poemas

 Por João Caetano do Nascimento.

A Casa Amarela de São Miguel Paulista realiza neste domingo, 18 de maio, a partir das 15 horas, a sua primeira incursão editorial, com o lançamento do livro de poemas Cavalos no Peito, de autoria de Carlos Alberto Rodrigues, conhecido como Big Charlie.

O livro, que  possui 36 páginas, além da capa e contracapa, traz  ainda uma análise desses  poemas feita pelo escritor Escobar Franelas e uma apresentação do autor realizada pelo poeta Akira Yamasaki.  Franelas, Akira e eu somos os responsáveis  também pela edição do livro, cujo projeto gráfico, diagramação e ilustrações ficaram a cargo de  Manogon Design Gráfico.

Os poemas foram divididos em duas partes:  I – Um tempo quase sem saída; II – Fuga ao passado perdido.
Na parte I, Big Charlie traça um panorama quase sombrio dos dias atuais: “Ah, como estão difíceis os tempos!”, onde, sempre com um toque de humor, mostra a aparente falta de perspectiva de nossa época, quando as pessoas limitam-se a lutar pela sobrevivência, sem liberdade e sem condições de viver plenamente.  Na segunda parte, ele narra uma viagem ocorrida no final e 2013, quando parte em busca do passado perdido,  na esperança de resgatar do já vivido os sonhos e as esperanças  que secaram  pelo caminho.

Viagem fascinante

Trata-se de uma viagem fascinante, cheia de emoções que cavalgam desembestadas no peito do poeta, mas trabalhadas com  ironia. Ou nas palavras de Escobar Franelas “ ironia quase profana”. Nessa viagem à terra natal, Carlos Alberto descobre que o tempo é implacável. O poeta encontra uma cidade transformada, a paisagem mudou, as pessoas envelheceram, tudo se transformou, tudo o tempo corroeu. Permanece apenas uma lembrança recorrente no poema , como a chave de um enigma:  é a  imagem de desespero da mãe  que vê o corpo do filho afogado na piscina. Um dos trechos mais marcantes e duros desses poemas, metáfora que se revela ao final com toda a sua carga dramática.

Desse mergulho no passado perdido na pequena cidade de Santo Amaro  de Imperatriz, o poeta  retorna à estrada e ao presente , estilhaçado na alma, mas revigorado pela lição de vida e de coragem das pessoas diante do sofrimento e da decadência  e dos pequenos gestos de coragem, quase insignificantes, como o da velha Tia Maria, mas que dão  um imenso significado à existência como um ato de busca e de resistência .

Akira Yamasaki, ao final, faz uma breve apresentação de  Carlos Alberto Rodrigues. Big Charlie  nasceu em 1957,mora em Guarulhos, trabalha num consórcio que está construindo a linha 5 do Metrô de São Paulo, é casado, pai de dos filhos. E, certamente,  a leitura desse livro irá revelar  a toda a gente o grande poeta que ele é.

Cada exemplar da publicação custa R$ 15,00. As reservas podem ser feitas pelos emeios: casamarela.e.cultural@gmail.com ou akiranoroinu@gmail.com, com Sueli ou Akira. Quem quiser participar do lançamento, a Casa Amarela fica na Rua Julião Pereira Machado, 7 , São Miguel Paulista. No dia do lançamento, ainda haverá uma apresentação especial do cantor e compositor da região, Adilson Aragão. Será também apresentado o livro recém lançado de Escobar Franelas “Itaquera, uma breve introdução”, publicação da Editora Kazuá, preço R$ 30,00.  
  
João Caetano do Nascimento é poeta, foi participante do MovimentoPopular de Arte no final da década de 70 e começo dos anos 80 do século passado. Trabalha como jornalista.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

O PENSAMENTO VOA - Sobre pequenices

Por Rômulo Reis Cesco.

É interessante... quando o nosso mundo não é mais umbiguista, percebemos que não somos relevantes para nada, apenas mais um número de erre-gê, uma engrenagem a mais ou a menos pra máquina que domina e rege a mim, a você.

Reduzidos à insignificância resignada e consciente, passamos a reparar mais na pequenez do que nos planos grandiosos dos homens; reparar, por exemplo no semblante, daquela criança de colo que dorme tranquilamente nos braços da mãe em um ônibus lotado, ou naquela moça de cabelos curtos que se enterra n'uma pilha de livros interessantes (a meu ver) na mesa de uma certa biblioteca. Ou naquele momento em você está nas escadas rolantes do metrô, em alguma estação do centro de São Paulo, e a cidade se abre como um livro novo a ser compreendido – aqueles prédios abismais dando-lhe a sensação de que você é uma formiga no meio de tantas vidas que se cruzam naquele lugar...

Somos cerceados, moldados para ser um bom homem médio e influenciados a todo momento, mas poderíamos nos libertar disso, ou de uma parte disso, apenas ao buscarmos o essencialmente humano em nós. O observar, o reparar, o tirar um momento para se livrar de pensamentos aleatórios e alheios, de concentrar-nos em todos os aspectos, absorvendo esse momento por inteiro, simplesmente pela beleza da vida real.

Acredito que estamos muito isolados de nós mesmos nesse novo arcabouço de redes sociais, que é um simulacro que vem perpetuando uma vida baseada em acontecimentos futuros:  "vamos marcar" e expressões afins resumem esse aspecto, esse adiamento, esse conforto em se esconder atrás de uma imagem ao invés de se assumir como ser vivente de carne e osso, essa virtualização do amor e da amizade – quando seria muito mais útil se usufruir de um momento a dois, a três, em grupo, em grupos, que seja, utilizando-se da plenitude que são os sentidos para construir lembranças solidárias e verdadeiras, que tenham cheiro e cor naturais.

Os momentos são deliciosos quando sentidos na pele, já a tela da TV ou do computador não é nada mais que um meio de construção de imagens que ficam na memória – pra isso temos mais recursos do que outrora. Experimentemos não nos transportar a toda hora para o mundo virtual, idealizado, onde todos são de bits e bytes.

Olhar para o lado pode ser interessante, mesmo que não seja extraordinário, alguém – imperfeito, mas real, como você e todos nós, pode estar observando o mundo também.