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quinta-feira, 26 de junho de 2014

ÉTICA E VALORES - Eu tenho um Sonho!



Por Luiz Roberto de Aguiar.

Dias atrás enquanto eu observava um noticiário a respeito da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, eu me alegrei e me surpreendi ao mesmo tempo: o que me chamou a atenção foi o fato de haver tantas pessoas juntas, confraternizando-se em cada uma das sedes dos jogos, não só no interior dos estádios, mas nas ruas, nos bares, nas casas, praças e avenidas.

Tem sido incrível ver tantas pessoas de características, culturas, idiomas, trajes e hábitos tão diferenciados se confraternizarem antes, durante e depois dos jogos independentemente dos resultados, numa convivência tão festiva, cheia de emoções, de carinho e respeito pelas opções alheias.

O futebol se mostra ser este veículo, que é surpreendentemente capaz de promover essa comunhão entre os diferentes povos que circulam atualmente por esse país de medidas continentais.  Vencer as dificuldades do idioma, das instalações tão caras e muito raras em outros locais, com gente dormindo nas cadeiras desconfortáveis dos aeroportos.

Povos não amigos, com relações comerciais e políticas distantes e controversas, se cruzam em campo e temos visto jogadores oponentes cumprimentarem-se, respeitarem-se e jogarem um futebol limpo, com as torcidas lado a lado nas arquibancadas, rindo e chorando juntas. Uma grande festa de cores nas vestimentas, nas fantasias e nos rostos pintados, nos uniformes das seleções.

Dentro de campo as coisas não tem sido diferentes, os jogadores buscam com todo o esforço a vitória, poucos são os lances violentos e muitas têm sido as grandes defesas dos goleiros, porém, os gols nos alegram com sua média, a qual é uma das mais altas das últimas copas.

Surge então a pergunta: Será que só o futebol é capaz de unir, mover, gerar recursos, dar alegrias e monopolizar a atenção, dedicação e o compromisso de milhares de pessoas de tantas nações diferentes para um mesmo objetivo?

Eu gostaria de dizer que não! Mas me é muito complicado responder a isto sozinho.

Antes desejo falar de outro sentimento e momento histórico na vida mundial, o qual foi, é e será sempre muito importante para cada povo e nação.

Meus questionamentos se afloraram ao ler a seguinte frase de autoria de Martin Luther King: “O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.”

Um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente e passei a refletir sobre a frase acima e a situação da Copa do Mundo no Brasil. Talvez o amor ao futebol seja o grande combustível para tamanha união entre povos tão diferentes, conforme já citamos anteriormente.

Embora esse amor possa causar toda essa comoção, o amor citado por Martin Luther King está numa outra conotação, aqui se menciona o amor fundamental de um ser humano por outro, independentemente do que se recebe ou se dá, de se ganhar ou perder, de ter uma boa seleção ou não. Luther King mostrou em seus discursos, em sua vida e luta dedicada a promover a igualdade entre negros e brancos, que é possível ao ser humano independente de cultura, de condição social e outras diferenças, viver sob a manifestação do amor que une, que respeita, que proporciona o bem alheio sem buscar ou praticar a desonestidade em qualquer de suas formas. 

O amor que vem do mais profundo do ser humano, que surge como valor fundamental para todo e qualquer relacionamento, amor que para ser construído exige sacrifício, esforço, dedicação, compromisso e valorização do sentimento alheio mais do que o sentimento pessoal.

O amor por si de forma idêntica ao amor dedicado ao outro. Sentimento que pode no caso dos brasileiros nos levar a uma conscientização social, moral e política que nos é extremamente necessária pelo momento em que vivemos e também pelo momento das eleições, que logo logo estarão se apresentando diante do povo brasileiro.

Assim como Martin, eu tenho um sonho. Que cada brasileiro aproveite muito bem esse tempo de Copa do Mundo, tempo de convívio entre povos tão cheio de alegrias, de respeito e festas. No entanto, que toda essa energia preencha nosso amor próprio, e a partir daí venhamos a analisar muito bem nossos candidatos para as próximas eleições,

Busquemos eleger os melhores candidatos possíveis e esses candidatos também tomados pelo sentimento de amor pelo país e por seu povo, realizem candidaturas extremamente diferenciadas daquelas que temos presenciado. Meu sonho é que pensem e venham a agir com ética, respeito, buscando solucionar as necessidades do povo brasileiro sem se apropriarem do dinheiro público, atuando de forma a posicionar o Brasil como a grande nação que a muito se espera que seja e que sabemos que pode ser.


Meu sonho é que o amor passe de uma palavra bonita, cantada e desenhada, para a atitude diária de cada ser humano.        


VAI BRASIL!


Luiz Roberto de Aguiar é Pós-graduado em Aconselhamento pela Faculdade Batista Teológica de São Paulo, professor de Filosofia para Crianças e Palestrante sobre Prevenção ao uso de Drogas. Escreve todas as quintas-feiras a coluna Ética e valores para o blog da editora Nova Alexandria. Contato: luizão.filosofia@yahoo.com.br.







quarta-feira, 11 de junho de 2014

ÉTICA E VALORES - É hora de mudança: mais amor pra você e pra mim

Por Luiz Roberto de Aguiar.

Temos vivido idas instáveis, rodeados por vários sentimentos contraditórios: raiva e amor, aceitação e rejeição, carinho e ira, alegria e tristeza, compaixão e abandono, entre outros tantos sentimentos.

O ser humano se revela capaz de ações valorosas ao mesmo tempo em que alguns de nossa espécie se apresentam realizando atos cruéis, indignos até de serem citados, mas muito visto e lidos em toda a mídia.

Se a espécie humana avança do ponto de vista tecnológico, reinventando sistemas e máquinas produzindo por meio destes as melhores possibilidades para a transmissão de dados e/ou informações por distâncias pequenas e gigantescas.

Não podemos dizer o mesmo das relações desenvolvidas na área dos diálogos, da espiritualidade, do atendimento e do combate as doenças, nas diferenças de escolhas que as pessoas fazem e nas opiniões de cada cidadão.

Atualmente temos visto as várias formas de mídia anunciando todos os dias muitas manifestações de violência entre a coletividade humana. Casais que após se desentenderem se agridem, em alguns casos chegando até a morte de um dos participantes da relação ou da discussão.

Em outros casos os atos destrutivos partem das crianças contra seus próprios pais ou familiares no interior de suas residências, as quais deveriam ser identificadas como seus lares (lugar de segurança, lazer, convívio afetuoso e provedor de cuidados essenciais). Noutros momentos tais atos de violência acontecem nos ambientes educacionais onde estudantes passam a agredirem-se mutuamente ou promovem manifestações maldosas contra um ou mais alunos levando-os a condições de extrema pressão negativa.

Não podemos nos esquecer dos nossos colegas professores, os quais nos últimos anos têm sido vítimas do descaso político em lidar com as más condições de trabalho a que são submetidos ou a violência que os tem cercado em seu ambiente de trabalho diário.
É hora de mudar este quadro, e a responsabilidade cabe a cada um de nós!

Que tal repensarmos nossas posturas nas relações pessoais, nos casamentos e na criação de nossos filhos, no trânsito e na educação.

Só o amor, a mais pura manifestação que um ser humano pode prestar a outro pode dar um novo rumo às nossas vidas e a segurança de um futuro melhor. Então seja quem for o seu Deus, do jeito ou forma, isto não é o que importa ou o que deve nos dividir. O mais importante é adorá-lo, obedecer-lhe, e que cada um de nós ame ao seu próximo como a si mesmo promovendo o bem, o respeito, a igualdade por meio do perdão, a compreensão integral das escolhas alheias.

Então, o que vai ser?


Ficaremos reclamando da violência crescente, faremos manifestações pedindo paz após a morte de algum ente querido, amigo ou vizinho ou iniciaremos a caminhada das mudanças a partir de nós mesmos, nossas falas, gestos e outros comportamentos, analisando melhor em quem vamos votar e de que maneira iremos conduzir nossas relações atuais e futuras?


VAI BRASIL!



Luiz Roberto de Aguiar é Pós-graduado em Aconselhamento pela Faculdade Batista Teológica de São Paulo, professor de Filosofia para Crianças e Palestrante sobre Prevenção ao uso de Drogas. Escreve todas as quintas-feiras a coluna Ética e valores para o blog da editora Nova Alexandria. Contato: luizão.filosofia@yahoo.com.br.


Gente, venha para o nosso SARAU DA COPA!




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Coluna ÉTICA E VALORES - Sobre a Amizade


Por Luiz Roberto de Aguiar.

Atualmente vivemos envolvidos numa sociedade que se mostra muito veloz e voraz em suas mudanças tecnológicas e extremamente perturbada em suas relações de amizades.

De acordo com Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, a amizade possui determinadas características sendo ela uma necessidade do ser humano. O ser humano enquanto ser sociável  desenvolve em vários locais a construção de pequenos grupos ou pequenas sociedades as quais vão se formando de acordo com seus gostos,  necessidades, objetivos e desejos. Podemos entender que a amizade pode ser usada como matéria prima para dar liga a estas relações, segundo o filósofo são os três tipos de amizades por ele explicadas no texto citado e que explico abaixo de forma resumida: Amizade segundo o prazer, a qual é fundamentada no prazer que une as pessoas nela envolvidas. Baseia-se no prazer que envolve a relação, enquanto o prazer durar, dura a relação.

Amizade segundo a utilidade ou interesse, fundamenta-se pelo bem que uma pessoa pode proporcionar a outra. Esta relação se mantém viva e ativa enquanto se pode ganhar algo do outro, findando o lucro ou o interesse, chega-se ao fim da amizade.

Amizade segundo a virtude ou citada por outros como a amizade por amor, é a relação estabelecida sobre a base do servir um ao outro. Neste tipo de relação as pessoas estão ocupadas em cuidar um do outro sem buscar para si um interesse maior do que atender a necessidade do amigo.

Cada tipo de amizade é necessário para o ser humano e seus relacionamentos, visto que as diferentes relações serão vividas muitas vezes num mesmo ambiente proporcionando ao indivíduo a capacidade de autoconhecimento, de avançar em sua maturidade e de enfrentar e identificar desafios que se apresentarão anexados a estas circunstâncias. O que poderá levar tais pessoas a progredirem no conhecimento e no desenvolvimento de seus valores pessoais, estudantis, sociais e profissionais entre outros.

Numa sociedade de características tão antagônicas, com as pessoas buscando cada vez mais de forma egoísta atender somente aos seus próprios interesses e que em decorrência desta postura social vemos os atos de violência crescerem absurdamente, bem como as relações familiares se distorcerem a ponto de que algumas vezes o “lar” que deveria ser o lugar de segurança máxima, se transformar no lugar mais inseguro para se viver, é que se evidência a importância de discutirmos este assunto com nossos filhos, alunos e amigos (sejam eles de qualquer estágio),  para que de modo equilibrado nos apercebamos dos tipos de amizades que temos construído e que permitamos uns aos outros vivermos na prática de nossa tão desejada liberdade e do uso de nossos direitos, proporcionando uns aos outros aquilo que gostaríamos que a nós mesmos fosse feito.

Ser amigo por interesse nem sempre é ruim, pois o interesse em melhorar seu desempenho em determinada matéria escolar pode aproximá-lo de outro aluno e levá-lo a um rendimento melhor.

A amizade por prazer é muito bem vinda quando o prazer que nos une não é nocivo à nossa saúde, como por exemplo, a prática de esportes, a organização de um grupo teatral ou de dança, uma banda ou um grupo de estudos onde alunos mais velhos ensinam a crianças de menor idade ou de menor capacidade econômica.

A amizade por amor ou virtude, pode ser buscada por cada um de nós para que juntos promovamos a mudança no mundo em que vivemos. Sair de uma situação de insegurança, desconfiança e descrédito das instituições estabelecidas, pode ter início com atitudes pequenas de amor envolvendo nossas amizades diárias, nossas condutas no trânsito, na criação de nossos filhos, em nossas relações comerciais, profissionais e religiosas.

Todos estes tipos de amizades nos acompanham por toda a vida e geram frutos positivos ou negativos, cabe a cada ser humano reter o que é bom e deixar de lado o que for ruim. Promovendo em suas relações o melhor de si e buscando o melhor do outro,  reconhecendo que todos nós às vezes erramos (mesmo sem quere) e outras vezes acertamos (mesmo quando não queremos), então que nossas amizades sejam as melhores possíveis enquanto durarem, que deixemos uns nos outros a marca do amor, da bondade e da felicidade.

Como diz a canção: “Amigo é coisa prá se guardar do lado esquerdo do peito dentro do coração”.

Luiz Roberto de Aguiar é Pós-graduado em Aconselhamento pela Faculdade Batista Teológica de São Paulo, professor de Filosofia para Crianças e Palestrante sobre Prevenção ao uso de Drogas. Escreve todas as quintas-feiras a coluna Ética e valores para o blog da editora Nova Alexandria. Contato: luizão.filosofia@yahoo.com.br.



Leia também a coluna VOLTA POR CIMA, de Samuel Soares, sobre como enfrentar as dificuldades da vida.

Aproveite a promoção da semana!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O PENSAMENTO VOA - Sobre pequenices

Por Rômulo Reis Cesco.

É interessante... quando o nosso mundo não é mais umbiguista, percebemos que não somos relevantes para nada, apenas mais um número de erre-gê, uma engrenagem a mais ou a menos pra máquina que domina e rege a mim, a você.

Reduzidos à insignificância resignada e consciente, passamos a reparar mais na pequenez do que nos planos grandiosos dos homens; reparar, por exemplo no semblante, daquela criança de colo que dorme tranquilamente nos braços da mãe em um ônibus lotado, ou naquela moça de cabelos curtos que se enterra n'uma pilha de livros interessantes (a meu ver) na mesa de uma certa biblioteca. Ou naquele momento em você está nas escadas rolantes do metrô, em alguma estação do centro de São Paulo, e a cidade se abre como um livro novo a ser compreendido – aqueles prédios abismais dando-lhe a sensação de que você é uma formiga no meio de tantas vidas que se cruzam naquele lugar...

Somos cerceados, moldados para ser um bom homem médio e influenciados a todo momento, mas poderíamos nos libertar disso, ou de uma parte disso, apenas ao buscarmos o essencialmente humano em nós. O observar, o reparar, o tirar um momento para se livrar de pensamentos aleatórios e alheios, de concentrar-nos em todos os aspectos, absorvendo esse momento por inteiro, simplesmente pela beleza da vida real.

Acredito que estamos muito isolados de nós mesmos nesse novo arcabouço de redes sociais, que é um simulacro que vem perpetuando uma vida baseada em acontecimentos futuros:  "vamos marcar" e expressões afins resumem esse aspecto, esse adiamento, esse conforto em se esconder atrás de uma imagem ao invés de se assumir como ser vivente de carne e osso, essa virtualização do amor e da amizade – quando seria muito mais útil se usufruir de um momento a dois, a três, em grupo, em grupos, que seja, utilizando-se da plenitude que são os sentidos para construir lembranças solidárias e verdadeiras, que tenham cheiro e cor naturais.

Os momentos são deliciosos quando sentidos na pele, já a tela da TV ou do computador não é nada mais que um meio de construção de imagens que ficam na memória – pra isso temos mais recursos do que outrora. Experimentemos não nos transportar a toda hora para o mundo virtual, idealizado, onde todos são de bits e bytes.

Olhar para o lado pode ser interessante, mesmo que não seja extraordinário, alguém – imperfeito, mas real, como você e todos nós, pode estar observando o mundo também.