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terça-feira, 26 de agosto de 2014

JOVEM LEITOR - Agosto, de Rubem Fonseca

Por Ulisses Azevedo Gonçalves.

Getúlio Vargas, 1951.
Agosto, de Ruben Fonseca conta a história de Mattos, um comissário da polícia do Rio de Janeiro durante o segundo governo de Getúlio Vargas. A narrativa começa com Mattos investigando a morte de Gomes Aguiar, na qual ele acaba descobrindo o envolvimento de Vitor Freitas, Luís Magalhães e Pedro Lomagno que eram sócios da Cemtex, empresa da qual Gomes Aguiar também era sócio.

Alice e Salete são os dois amores de Mattos, porém, Alice é casada com Lomagno e Salete se envolve com Luís Magalhães. Lomagno, que é o mandante do assassinato, ao descobrir que Mattos o está investigando, manda que Chicão, seu amigo e assassino de Gomes Aguiar, mate Mattos, enquanto isso, na delegacia de Mattos, Ilídio, o bicheiro, ao não ser bem recebido pelo comissário, manda que Turco Velho mate o mesmo, porém muda de ideia e avisa Mattos sobre a tentativa de assassinato.

Turco Velho acaba por ser rendido por Mattos,e levado a delegacia onde algumas horas depois é morto por Pádua sem o conhecimento de Mattos. Após a morte de Mattos pelas mãos de Chicão, Pádua sequestra e mata Ilídio, pensando que ele seja o mandante do assassinato do colega.

Enquanto isso, a tentativa de assassinato a Lacerda dá errado, e os envolvidos: Gregório Fortunato(Mandante),Climério(Encarregado),Alcino(Assassino) e Nélson(Motorista) são presos e devido a morte do major Vaz, inicia-se uma enorme pressão sobre Getúlio Vargas para que a renúncia aconteça, sem ter para onde fugir, Getúlio acaba praticando o Suicídio.
A seguir, os personagens do romance, em ordem Alfabética:

Personagem
Descrição
Alcino
Alcino foi o assassino contratado por Climério para matar Lacerda, porém ao errar o tiro, acaba matando o major Vaz, oque acaba por causar complicações ao governo de Getúlio Vargas.
Alice
Ex-namorada de Mattos, acaba se casando com Pedro Lomagno por interesse, mas acaba voltando a gostar de Mattos durante a narrativa.
Chicão
Treinador de Box e amigo de Pedro Lomagno que, a pedido do amigo, mata Gomes Aguiar e Mattos.
Clemente
Assistente de Vitor Freitas.
Climério
Membro da guarda pessoal de Getúlio Vargas que, a mandado de Gregório Fortunato, contrata Alcino para matar Lacerda.
Eusébio
Bicheiro que, juntamente com Moscoso, aconselha Ilídio.
Getúlio Vargas
Presidente brasileiro durante a época.
Gomes Aguiar
Industrial e sócio da Cemtex.
Gregório Fortunato
Chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, e mandante da tentativa de assassinato a Lacerda.
Ilídio
Bicheiro que manda que Turco Velho mate Mattos.
Carlos Lacerda
Jornalista de extrema oposição ao governo de Getúlio Vargas.
Luciana Aguiar
Esposa de Gomes Aguiar e amante de Pedro Lomagno.
Luís Magalhães
Sócio da Cemtex e amante de Salete.
Mattos
Comissário de polícia que não aceita propina dos bicheiros e busca a justiça acima de tudo.
Moscoso
Bicheiro que, junto com Eusébio, aconselha Ilídio.
Nélson
Taxista contratado por Climério para auxiliar na tentativa de assassinato a Lacerda – que acaba por revelar os detalhes do plano durante as investigações do crime.
Pádua
Comissário que trabalha com Mattos que, ao descobrir a tentativa de assassinato a seu colega de trabalho, vai atrás dos responsáveis e acaba por matar Turco Velho e Ilídio.
Pedro Lomagno
Homem rico e inescrupuloso, casado com Alice e sócio da Cemtex.
Ramos
Delegado corrupto.
Rosalvo
Assistente de Mattos que, sem o conhecimento dos colegas, se corrompe e entrega informações sobre os mesmos.
Salete
Namorada de Mattos e Luís Magalhães.
Turco Velho
Assassino contratado por Ilídio para matar Mattos, acaba sendo morto por Pádua.
Vitor Freitas
Senador corrupto e homossexual.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Coluna JOVEM LEITOR - Memórias literárias

Mike Stilkey, The Piano Has Been Drinking.

Por Ulisses Azevedo Gonçalves

Não me lembro muito bem de minha infância, até os cinco anos, logo, é aí que começamos. Na época eram bem comuns produtos, brinquedos e livros de dinossauros. E eu não era exceção. Na verdade, durante os seguintes três ou quatro anos, ele foram meus livros favoritos.

Por volta dos doze anos, começou a época mais agitada de minha vida de leitor, com título como Percy Jackson, Hugo Cabret e Jogos Vorazes.

Sempre tive muito prazer em ler, e me imaginar tendo as aventuras e romances dos personagens dos livros, e até hoje meu livro favorito, que me proporcionou tudo em uma leitura fácil é o livro O mistério das runas, de Anna Ciddor, publicado pela editora Arx Jovem.

Ultimamente tenho lido livros como O diário secreto das Copas e 1964 - O golpe que marcou a ferro uma geração. Devido a meu amadurecimento dos últimos anos, ambos me ajudaram a compreender a atual situação do Brasil e do mundo, e são leituras obrigatórias para quem curte história.

Ulisses Azevedo Gonçalves, 14 anos, é estudante da ETEC Basilides de Godoy. Praticou por dois anos e meio Kung Fu,  é atualmente praticante de Muay Thai e escreve no blog da editora Nova Alexandria a coluna Jovem leitor todas as quartas-feiras.

terça-feira, 8 de abril de 2014

JOVEM LEITOR - Horizonte Perdido: conflitos morais e éticos

Por Ulisses Azevedo Gonçalves.

O conflito vivido por Conway, um representante do império inglês no oriente, no romance “Horizonte Perdido”, pode ser expressado na forma de atritos morais e éticos entre ocidente e oriente.

Os conflitos morais presentes no livro são muitos e vários, porém, um se destaca logo de início: o fato de Conway ser contra as guerras e agente do imperialismo inglês atuando como diplomata na Índia. Exemplo disso ocorre logo no começo do livro, quando Conway se mostra mais disposto a salvar vidas do que defender os interesses ingleses na fuga de Peshawar, devastada pela revolução.

No livro, este conflito é resolvido com a escolha de Conway de abandonar os costumes ocidentais, permanecendo no mosteiro de lamas de Shangri-La, que, no caso, representa a paz, a sabedoria, a tolerância, entre outros valores.

Os conflitos éticos abordados no livro são mais abrangentes, sendo representados principalmente pelo impasse entre os interesses ingleses da época e a real justiça, que estaria do lado da Índia, que estava sendo explorada e procurava liberdade. Um exemplo se passa durante a fuga de Conway e dos outros de Peshawar, devido à revolução indiana.

Este conflito é solucionado também pela escolha de Conway, que decide ficar no mosteiro que, neste caso, representa a justiça, a cultura, o patrimônio intelectual e diversos outros valores, que não se mostraram considerados pelos interesses ingleses. Devido a isso, Conway pode ser considerado traidor da coroa britânica.

Pode-se dizer então que ambos os conflitos morais e éticos apresentados no livro se resolvem a favor das sociedades orientais e dos valores por essas representados.


Ulisses Azevedo Gonçalves, 14 anos, é estudante da ETEC Basilides de Godoy. Praticou por dois anos e meio Kung Fu,  é atualmente praticante de Muay Thai e escreve no blog da editora Nova Alexandria a coluna Jovem leitor todas as quartas-feiras.

quinta-feira, 20 de março de 2014

JOVEM LEITOR - Horizonte perdido: entrevista com um jovem leitor


Ulisses Azevedo Gonçalves
Aluno da ETEC Basilides de Godoy
Lapa, São Paulo

A propósito da nova edição que o grupo Nova Alexandria, pela editora Claridade, prepara para o best seller da década de 1930 Horizonte perdido (Lost Horizon) de James Hilton, entrevistei um jovem leitor a quem foi dada a tarefa, ou o prazer, de ler o romance. Trata-se de Ulisses Azevedo Gonçalves, de 14 anos de idade, primeiranista da ETEC Basilides de Godoy, na Lapa, em São Paulo, mais conhecido como meu filho.

Em que pese a pouca idade, Uli tem já uma larga experiência de leitura, uma vez que deu a sorte, ou o azar, de ser filho de uma professora de língua portuguesa (mestre em literaturas africanas pela USP) e de um também professor de língua portuguesa (doutor nas mesmas literaturas e na mesma Universidade), escritor por insistência – e às vezes por penitência.

Desde o útero, Uli ouviu histórias clássicas da literatura infantil. Quando aprendeu a ler, foi montando sua própria biblioteca. Segue a entrevista:

Jeosafá (Jeosa): Qual foi sua primeira impressão iniciar a leitura do livro?

Ulisses (Uli): Fiquei um pouco confuso, pois do Prólogo ao primeiro capítulo há uma mudança de narrador. No prólogo amigos conversam entre si sobre Conway. O narrador é um, talvez o próprio autor, James Hilton. No primeiro capítulo, já estamos dentro da história de Conway. O narrador passa a ser, descubro voltando várias vezes a leitura, e caminhando adiante nela, que é Rutherford, um dos amigos que conversam sobre Conway no Prólogo.

Jeosa: Isso se chama “narrativa” moldura:  uma narrativa inicial, curta, que introduz o enredo principal, e uma final, também curta, que encerra. É como se fossem parênteses: a história principal ocorre entre as duas.

Uli: É, percebi.
                                                      
Nova edição de Horizonte Perdido.

Jeosa: Que diferenças encontrou em relação aos livros que já leu?

Uli: O tema é mais maduro. O livro não tem tantas aventuras, o narrador se detém nas conversas entre as personagens, detalha os cenários, as ideias, os pensamentos com paciência.

Jeosa: O tema mais maduro ofereceu dificuldade?

Uli: No começo, fiquei um pouco resistente, mas depois que entendi a passagem do Prólogo ao primeiro capítulo, passei a gostar. O enredo traz surpresas, e embora o tema seja mais maduro, a linguagem não tem maiores complicações.

Jeosa: O romance apresenta situações inusitadas. Há algum fato ou situação que você gostou em particular?

Uli: Fiquei surpreso e gostei quando Mallinson acha por acaso a carteira de Barnard e descobre que ele é outra pessoa, na realidade um estelionatário procurado internacionalmente por fraude milionária. Gostei bastante também quando Mallinson põe em dúvida a certeza de Conway, que acredita totalmente no que lhe disse Chang e o Lama Superior. Outra passagem que me surpreendeu foi quando Conway descobre que o Lama Superior é, na verdade, o mesmo padre Perraut, o belga que fundou o mosteiro de Sangri-La  em meados de 1700, e que tem, portanto, quase 200 anos de idade. Voltei várias vezes a leitura páginas antes para me certificar.

Jeosa: Algum cenário descrito  marcou?

Uli: A descrição do monte Karakal é muito bonita, do mosteiro,  também as piscinas de lótus.



Lost Horizon, 1937.
Direção: Frank Capra. Roteiro:  do próprio James Hilton.

Jeosa: Além de Conway, algum outro personagem o atraiu?

Uli: Barnard.

Jeosa: Conseguiu acompanhar a trajetória no espaço de Conway e dos outros sequestrados que vão parar no vale da Lua?

Uli: Sim. O avião parte de Peshawar, na índia (hoje  Pasquistão) e vai parar no platô tibetano, na China após cruzar a própria cordilheira do Himalaia.

Jeosa: Você percebeu a luta entre valores que se expressa no romance?

Uli: Sim. Conway quer abandonar o mundo agidato em que vive, e ficar em Shangri-La, onde tudo é mais calmo. Dos outros sequestrados, o único que acaba querendo voltar à “civilização” é Mallinson. Os outros, mesmo Barnard, que pensou em roubar o ouro que encontrou no vale da Lua, refaz suas ideias e decide ficar em Sangri-La.

Jeosa: Quando a narrativa principal terminou e a outra parte da “moldura”, o último capítulo, reintroduziu Rutherfor, sentiu a mesma dificuldade de quando começou a leitura?

Uli: Não. Quando reapareceu Rutherford, já estava preparado, e o que ele disse no início se encaixou com o que disse no fim.

Jeosa: Quem é Conway?

Uli: Uma pessoa procurando motivação para viver.

Jeosa: Qual o período abrange as aventuras de Conway?

Uli: Entre a 1ª. e a 2ª. Guerra, por volta de 1930.

Jeosa: Que mensagem há no livro?

Uli: É um alerta às pessoas, para que as guerras sejam evitadas.

Jeosa: O que o atraiu no livro?

Uli: As discussões filosóficas. As personagens estão sempre pensando e discutindo suas ideias.

Jeosa: Gostou do livro?

Uli: Gostei.


Ulisses Azevedo Gonçalves, 14 anos, é estudante da ETEC Basilides de Godoy. Praticou por dois anos e meio Kung Fu,  é atualmente praticante de Muay Thai e escreve no blog da editora Nova Alexandria a coluna Jovem leitor todas as quartas-feiras.