Por Susana Ventura.
Lembro o maestro soberano Antonio Candido, que ensinou que a crônica mostra a 'vida ao rés-do-chão', o existir miúdo que é flagrado pelo cronista num instante-chave. Nesta semana este fragmento de vida que merece estas 'mais ou menos bem digitadas linhas' é representado pela
minha visita a uma escola pública em Santos (SP), a UME Padre Lúcio Floro, para conversar com crianças do Ensino Fundamental.
Semana do aniversário de Monteiro Lobato, a direção da escola escolheu uma autora que cresceu na cidade para falar sobre literatura. E foi momento para contar histórias também, as minhas histórias – escritas com muito respeito - a partir da tradição oral brasileira, tão bem
representada antes de mim por milhares de contadores anônimos e fixada de maneira escrita por gente tão boa quanto Sílvio Romero, Câmara Cascudo e o próprio Monteiro Lobato.
Susana Ventura é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, professora do Ensino Superior e autora de ficção, ensaios e obras para formação de professores. Todas as quinta-feiras escreve a coluna Brasis, Portugais e Áfricas para o blog da editora Nova Alexandria.
Confira os nossos títulos relacionados:
Esta é minha primeira crônica para a coluna semanal Brasis,
Portugais e Áfricas e um 'ponto de partida para conversas' que aqui têm
seu início.
Lembro o maestro soberano Antonio Candido, que ensinou que a crônica mostra a 'vida ao rés-do-chão', o existir miúdo que é flagrado pelo cronista num instante-chave. Nesta semana este fragmento de vida que merece estas 'mais ou menos bem digitadas linhas' é representado pela
minha visita a uma escola pública em Santos (SP), a UME Padre Lúcio Floro, para conversar com crianças do Ensino Fundamental.
Semana do aniversário de Monteiro Lobato, a direção da escola escolheu uma autora que cresceu na cidade para falar sobre literatura. E foi momento para contar histórias também, as minhas histórias – escritas com muito respeito - a partir da tradição oral brasileira, tão bem
representada antes de mim por milhares de contadores anônimos e fixada de maneira escrita por gente tão boa quanto Sílvio Romero, Câmara Cascudo e o próprio Monteiro Lobato.
Muita responsabilidade, realmente, foi
partilhar o reconto 'O bicho folharal', história que me fazia
gargalhar aos quatro ou cinco anos e que só muitos anos mais tarde
percebi ser, também, um libelo contra a opressão.
Ao reescrever a história, há dois anos, eu
dialoguei com o meu próprio passado e com as versões escritas que
encontrei. Já ao contar a minha história na segunda-feira para as
crianças - não ler, contar - o laço com o universo oral foi
retomado. Os olhos brilhando e as risadas a cada episódio em que o
esperto macaco engana a onça me acompanharão pela semana.
Susana Ventura é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, professora do Ensino Superior e autora de ficção, ensaios e obras para formação de professores. Todas as quinta-feiras escreve a coluna Brasis, Portugais e Áfricas para o blog da editora Nova Alexandria.Confira os nossos títulos relacionados:


