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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Coluna POR DENTRO DA ESCOLA - Presentaço do dia do Professor

Por Jeosafá.


Ontem, dia do Professor, meu dia, estive no colégio Eco, na Lapa de baixo, em São Paulo. A escola adotou para o Ensino Fundamental 2 meu livro O diário secreto das Copas, uma novela em que articulei uma história de amor de origem medieval com as biografias do grande João Saldanha e de Therezinha Zerbini,a corajosa lutadora pelos direitos humanos e líder da campanha da Anistia, que colocou a ditadura militar brasileira no banco dos réus.


João Saldanha e Therezinha Zerbini.

A base literária da novela é a mitológica história irlandesa de Tristão e Isolda, que serviu de base para Shakespeare escrever Romeu e Julieta. A origem dessa comovente história de amor se perde na noite do tempo, na distante Idade Média alemã, na versão Libah e Gunthram – que por sua vez inspirou Victor Hugo e escrever Pecopin e Baldour (que traduzi direto do francês e adaptei para HQ com meu amigo, o ilustrador João Pinheiro).

A conversa com os adolescentes foi muito legal. Carinhosos e curiosos sobre os segredos que estão por detrás das históricas contatadas na novela, ele levantaram hipóteses, teceram interpretações, apontaram possibilidades de leitura para muito além do que eu mesmo tinha imaginado...

Noutra palavras, recebi um presentaço  do dia dos professores, eu, que há uns 6 anos estou fora da sala de aula – enquanto docente, pois, enquanto autor, tenho frequentado a sala de aula “como nunca antes neste país!” rs rs rs.

Obrigado ao ECO, aos professores e à coordenadora que confiaram seu maior tesouro – seus alunos –, ao mundo que inventei no livro e à minha conversa de ontem.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

POR DENTRO DA ESCOLA - DIÁRIO SECRETO DAS COPAS VAI A JÚRI DE CINEMA

Por Jeosafá.

Enquanto ia devagarinho escrevendo e publicando meus livros, fui professor da Educação, Básica de 1989 a 2006, e do Ensino Superior, de 1998 a meados da década de 2000. Depois disso, dirigi escolas da Educação Básica, coordenei bancas de seleção de obras literárias para a escola pública do estado de São Paulo e fiz muito free lance em editoras. Há uns cinco anos, me profissionalizei definitivamente  como escritor, e desde 2006 estou fora da escola. Ao menos uma vez por mês, sonho que estou dando aulas e... acordo um bocado triste. Algumas vezes, o mal-estar do sonho dura o dia todo, mas passa.

Vários de meus livros têm sido adotados por escolas públicas ou privadas, em razão do que tenho sido convidado para conversar com professores e, maioria dos casos, com alunos dos ensinos Fundamental e Médio.  Na época do ano em que sou mais convidado para esses encontros, esse sonho de que falei comparece menos nas minhas madrugadas.

Este ano, graças a meu livro O diário secreto das Copas, tenho sido muito requisitado. Ontem, visitei Ana Cláudia, Professora Coordenadora das Séries Finais do Ensino Fundamental do colégio São João Gualberto, em Pirituba, Zona Norte da Capital – quase Zona Oeste.

Fiquei surpreso e emocionado com o trabalho que a escola desenvolveu a partir desse livro. Ao final do semestre letivo passado, e antes de a Copa do Mundo do Brasil se iniciar, os alunos levaram para casa o livro para ler e produzir trabalhos em grupo, no âmbito da já tradicional Mostra Cinematográfica anual do colégio – que já está na quinta edição.

De frente com Gabi - COLÉGIO SÃO JOÃO GUALBERTO

Conheci pessoalmente Ana Cláudia. Não lhe falei na hora, mas falo agora, ela se parece demais com minha cunhada, também professora, que no Rio de Janeiro leciona no colégio Pedro II, a Cris. Até a voz e o sorriso lembra a esposa de meu irmão caçula o Valdir, professor do colégio Santo Agostinho, na mesma Cidade Maravilhosa. Tanto quanto eu, ela vem de formação salesiana, uma coincidência que talvez explique a empatia imediata. Naturalmente, neste ponto de nossa conversa, o padre Rosalvino foi alvo de nossa lembrança e afeto – principalmente para mim, que joguei no time do Dom Bosco ao final da década de 1970 e início da seguinte.

Conversamos sobre o evento final da V Mostra, que se realizará nesta sexta-feira (04/09/12), a partir da 20h, e ela me apresentou os cinco vídeos selecionados, em votação dos próprios alunos, que amanhã concorrerão aos lindos troféus. Os vídeos estão no site do colégio (clique aqui e assista aos finalistas da Mostra).

Embora tenha passado parte de minha vida no movimento cineclubista (fui militante do histórico Cineclube Bixiga, no bairro homônimo, e do não menos histórico Oscarito, na praça Roosevelt,  na década de 1980 – hoje temos o cineclube Baixa Augusta), não tinha imaginado que meu “Diário Secreto” ensejaria mais de cinquenta curtas metragens produzidos por adolescentes.

Fico feliz, exultante, mesmo, pois estou chegando às salas de aula de outra maneira: por meio de meus livros e, agora, dos  vídeos produzidos por adolescentes.

Embora cinco curtas metragens tenham chegado à final, todos os demais recebam meu carinho e apreço. Fico devendo essa alegria a vocês para sempre, e não sei como pagar. Não imagino maior elogio a um escritor de que um leitor produzir algo a partir de seu livro. E não imagino melhor lugar para isso acontecer, senão o chão sagrado da sala de aula.

Obrigado, professores e alunos do colégio São João Gualberto, que logo neste início de setembro já me livraram de meu sonho desconfortável do mês. Amanhã estaremos juntos.  Prepararei uma surpresa humilde na solenidade de entrega dos prêmios.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

POR DENTRO DA ESCOLA - Injeção de fé na vida e na humanidade

Por Jeosafá.

Recentemente tive o privilégio de conversar com os alunos do Colégio Magno, na Zona Sul de São Paulo, sobre meu livro O diário secreto das Copas, a convite da professora Coordenadora Lígia Brum. Durante o mês de junho e julho, a escola desenvolveu um projeto articulando o assunto do momento com os objetivos pedagógicos da instituição (que, aliás, foi objeto de artigo jornalístico no portal UOL). Em razão disso, a escola adotou meu Diário Secreto para leitura de férias dos alunos de séries finais do Ensino Fundamental.


Antes de os alunos entrarem em férias, me comuniquei com a Cátia, bibliotecária do Colégio e, por meio dela, agendamos nosso encontro. No dia 11 de agosto, na manhã fresca e ensolarada, após a bifurcação da avenida Washington Luís com a Interlagos, estava eu lá, nas belas instalações do Colégio, sendo recebido com tapete vermelho e um belo café logo à entrada.


Não durou muito, guiado pela professora Lígia Brum, já estava na iluminada e muito bem planejada biblioteca de dois andares com um lido mezanino central. As mesas organizadas para receber os jovens logo foram ocupadas e... Não tive moleza, pois eles leram com atenção o livro, me bombardearam com perguntas (tantas que ultrapassamos o tempo previsto) e teceram coerentemente suas hipóteses sobre o que leram.


Naturalmente, vários segredos, que deixei emboscados nas letras pretas sobre as páginas em branco, ficaram lá emboscados, a espreita, pois ao escrever o livro tive a intenção de que os mistérios não se revelassem todos de uma vez – por isso os instiguei a sondar articulações relacionadas à história e à lógica, que, observadas, oferecem não infinitas, mas um número bem definido de alternativas possíveis.

A título de exemplos, sugeri que tentassem explicar a relação entre o pai de Lubna (Lara), Kátia (avó) e Martin (avô) – por que na lógica do enredo Martin é um filho adotado? –; como o leitor foi iludido o tempo todo sobre a natureza das duas Kátias (a avó e a amiga adolescente de Lubna)?; como Martin, ao se engajar na luta antifascista na Segunda Guerra, volta do conflito, e por quê? Choveram hipóteses, todas passíveis de serem desenvolvidas a partir de novas leituras (remontagem, vale dizer, já que as hipóteses levantadas são uma espécie de processo de desmontagem).


Esse livro é uma espécie de quebra-cabeça, e os jovens perceberam, porém, ainda estavam em dúvida se essa impressão que tiveram era justa. Confirmei: era... porém... um tipo de quebra-cabeça muito particular, que você monta e remonta e, a cada montagem e remontagem, novos segredos se revelam: a luta contra o fascismo e o nazismo na Segunda Grande Guerra Mundial; o esporte empregado para fins políticos autoritários (caso da Itália fascista de Mussolini e de Brasil e Argentina sob ditaduras militares); o amor entre dois adolescentes (cuja base foi Tristão e Isolda) que atravessa o tempo e se realizada por completo, a despeito de todas as dificuldades.

Ter conversado com os jovens lavou minha alma. Cada vez que saio desses encontros, me sinto mais motivado a escrever histórias para eles – que são exigentes, espertos, afetuosos e empurram a gente para frente com toda força de seu coração de estudante.

Obrigado professora Lígia, obrigado jovens do Colégio Magno. Fico devendo a vocês mais essa injeção de fé na vida e na humanidade que me deram.