Por Jeosafá.
No sábado passado tive o prazer de participar do evento de exposição de trabalhos de alunos no Colégio Sílvio Gonzales, na Freguesia do Ó. Dia claro, de céu azul e vento agradável. Fui recebido pela professora Renata, coordenadora das turmas das séries finais do Ensino Fundamental, cujo sorriso desarma o mais mal humorado e casmurro dos seres sobre a terra. Em seguida, conheci a professora Sílvia que, subindo e descendo escadas na organização, não se descuidou um segundo da cordialidade e dos cuidados com alunos e pais de alunos. Recebi um abraço fraterno do professor Aguiar, de Filosofia, e o verdadeiro furacão de energia chamado professora Mirian, de português.
Embora profissional do livro desde há muito e exclusivamente, há seis anos, me senti de novo professor, fui tratado como colega pelos pares e me senti à vontade para converter a manhã de autógrafos numa de minhas autênticas aulas: a aula-entrevista.
Quando lecionei para turmas de 11 a 14 anos (Fundamental) e de 15 a 18 (Médio), era um de meus formatos preferidos: organizava pesquisas fora de sala de aula e, depois, entrevistava os alunos acerca de suas descobertas.
Fiquei surpreso na manhã do Sílvio Gonzales quando várias mãos se ergueram na plateia do auditório quando desafiei que alguns subissem ao tablado do teatro para serem entrevistados. Mas a surpresa não se justificava, pois o trabalho realizado pela escola seduz os alunos à fala pública, à reflexão coletiva e, em que pese a inibição característica da idade, à exposição pública da opinião individual.
O tempo só permitiu a entrevista de cinco estudantes que, tendo lido O Diário Secreto das Copas, fizeram questão de informar à plateia suas preferências. E o fizeram em português claro, em frases límpidas, com dicção adequada à situação. A ponto de vários pais de alunos, animados com os jovens, erguerem o braço para participarem do debate. Pelo aperto do horário, apenas um pode fazer uso da palavra, e expressou sua animação pelo que ouviu dos jovens.
Eis que, após minha participação, os próprios alunos foram chamados ao tablado para a manhã de autógrafo do livro coletivo de poemas escrito por eles mesmos, Fé, esperança e amor, sob orientação dos professores Júlia, Mirian e Aguiar e pela autora Sueli de Oliveira e pelo agente literário Rocio Del Pilar
Embora o evento tivesse como centro os autógrafos dos livros - o meu e o deles -, o que se elevou de mais importante foi a oportunidade proporcionada pelo colégio e seus professores aos jovens, que viveram integralmente uma das maiores liberdades do mundo: a de expressar sentimentos e ideias por meio da palavra - essa liberdade que não é fruto do acaso, mas conquista coletiva, neste caso dos jovens e da escola, que, assim, estão de parabéns por escolherem entre tantas alternativas à disposição de todos, a mais difícil, porém mais definitiva: a LIBERDADE.


